Com algumas raras excepções, os ataques dos últimos dias de Donald Trump e da sua administração contra o modelo europeu foram recebidos com um silêncio ensurdecedor no Velho Continente. Esta estratégia de comunicação adoptada pelos capitais e instituições comunitárias deu a imagem de uma Europa entrincheirada que, entre a negação e o medo de possíveis medidas retaliatórias americanas, se deixa insultar sem responder.
Recorda outro episódio de fraqueza demonstrado quando, em 27 de julho, a Presidente da Comissão, Ursula von der Leyen, regozijou-se, com o polegar para cima, por ter concluído um acordo comercial desequilibrado com os Estados Unidos sobre o resort de golfe de Donald Trump em Turnberry, na Escócia.
Desta vez, novamente, Washington fez todos os esforços. Na sua nova estratégia de segurança nacional, publicada em 5 de dezembro, o governo americano menciona, no que diz respeito à União Europeia (UE), o “declínio econômico [et] a verdadeira perspectiva (…) de um apagamento civilizacional”, devido, em particular, à imigração, à diminuição da taxa de natalidade e a uma alegada censura à liberdade de expressão. Ele também cumprimenta “influência crescente” da extrema direita, como solução para os males da Europa. No mesmo dia, enquanto a Comissão Europeia anunciava uma multa de 120 milhões de euros contra X, Elon Musk, antigo membro da segunda administração Trump, acreditava que a UE deveria ser “abolido”.
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