Agricultores peruanos, perto de Jauja, na região andina central de Junin, Peru, 29 de maio de 2024.

Se aglomerados de cancros ou outras doenças não transmissíveis aparecem regularmente em determinados territórios, é quase sempre impossível elucidar a posteriori as causas destas anomalias estatísticas. Publicado quarta-feira, 1ºerAbril na revista Saúde da Naturezatrabalhos pioneiros liderados por pesquisadores franceses e peruanos abordam a questão na direção oposta: partem da exposição dos territórios a substâncias tóxicas – as“exposição espacial” – explorar as suas ligações potenciais com riscos excessivos localizados de certas doenças.

Inédita pela diversidade de disciplinas envolvidas (geografia, epidemiologia, biologia molecular, etc.) e pela sua ambição científica, a metodologia desenvolvida pelos autores foi aplicada na escala de um país inteiro, o Peru. Ela mostra um “associação robusta” entre a exposição ambiental aos principais agrotóxicos utilizados no país e o aumento do risco de certos tipos de câncer em mais de 400 áreas distribuídas por todo o território do país sul-americano. Localmente, o risco de doenças pode aumentar quase dez vezes. Desde os resultados até “implicações importantes” para políticas de saúde pública e prevenção do câncer, afirmam os pesquisadores.

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