
Um bônus para atrair as mães: a cidade de Saint-Amand-Montrond, em Cher, adotou na noite de quinta-feira a proposta do prefeito de oferecer 1.000 euros às mulheres que vierem dar à luz em 2026 na maternidade da cidade, ameaçadas por um número insuficiente de partos.
Esta medida visa, em particular, salvar a maternidade da cidade, situada 50 km a sul de Bourges, que corre o risco de encerrar por ter caído abaixo do limite de 300 partos por ano estabelecido pela regulamentação. Em 2025, a previsão é de 226 entregas.
Um bónus de 1.000 euros em vales-presente, a gastar em 150 comerciantes aderentes consoante o concelho, será assim pago a partir de 1 de janeiro de 2026 às mães que dão à luz no local. Quinhentos euros serão suportados pelo município e 500 pela comunidade de municípios.
O prefeito da cidade de LR, Emmanuel Riotte, já tinha visto sua proposta adotada pela comunidade de municípios na quarta-feira.
O autarca espera, em particular, trazer de volta à maternidade pacientes do departamento e arredores que agora se dirigem para maternidades maiores em Bourges, Montluçon ou Nevers.
“Não damos dinheiro a uma mãe para ter filhos, damos dinheiro a uma mãe grávida que decide vir dar à luz em Saint-Amand”, disse Riotte à AFP.
O autarca quer que este incentivo financeiro seja acompanhado de “consultas pré-natais obrigatórias”. “Seria completamente estúpido uma mãe deixar a Bretanha às 5 da manhã para dar à luz às 13h em Saint-Amand”, insiste.
19.000 habitantes vivem na comunidade de comunas ao redor de Saint-Amand-Montrond, cuja maternidade está entre as vinte da França que se desviam do limite mínimo de 300 partos por ano estabelecido pela regulamentação.
A iniciativa da Câmara Municipal provocou a indignação de quatro sindicatos de médicos (Snphare, Syngof, Snpeh e Samu Urgences de France) para os quais “a escolha da maternidade não deve ser influenciada pela perspetiva de uma recompensa puramente financeira” e que alertam para os riscos para a saúde em caso de complicações.
“É óbvio que os partos complicados terão de ser encaminhados para um estabelecimento especializado, como acontece há décadas”, responde Emmanuel Riotte.
A taxa de natalidade continuou a diminuir em França desde 2010. Passou de 832.799 para 663.000 em 2024, uma queda de 20%, segundo dados do INSEE.
Em Cher, esse declínio chega a 30%, com 2.374 nascimentos em 2024.