Eddy D'aranjo, Clémence Delille e Edith Biscaro, em “Édipo Rei”, depois de Sófocles, direção de Eddy D'aranjo, no Odéon-Théâtre de l'Europe, em Paris, 5 de fevereiro de 2026.

Eddy D’aranjo nasceu em 17 de dezembro de 1992. Ele tem 33 anos. A idade de Cristo no dia de sua crucificação. Especificamos isto porque, mais de uma vez em palco, este artista surpreendente, que acaba de entusiasmar o público do Odéon-Théâtre de l’Europe em Paris, abre os braços para o céu, com as palmas abertas, num gesto cristão de desculpas ou perplexidade.

Eddy D’aranjo, porém, não é o Messias: há nele uma dimensão sacrificial. Do prólogo deÉdipo, o Reiespetáculo inspirado em Sófocles que ele encenou nos Ateliers Berthier, uma de suas parceiras pica a ponta de seus dez dedos com uma ponta afiada. Com as mãos avermelhadas, o ator pode iniciar sua via-sacra e pedir no teatro o impossível: representar o irrepresentável. Porque ele examina a abjeção sem piscar, seu espetáculo impressionante leva o teatro a um salto gigantesco acima da selvageria dos homens.

Autor de uma peça fascinante, Eddy D’aranjo conhece o Everest de proibições e segredos, que massa de fantasias presas à realidade está enfrentando, pois a história que revela é a de sua família. É por isso que ele dedica tempo a palavras explicativas e descritivas antes de se deixar teatralizar. O que resultará na irrupção flexível de vídeos filmados ao vivo (ao estilo de Julien Gosselin, de quem foi assistente) num cenário (interior de casa) que será exibido no intervalo. Um cinema verité encarnado por atores ardentes quando a primeira parte do espetáculo, ao contrário, consistia em retirar a encenação do cenário para desenrolar os fatos. Nada além dos factos, sem excessos visuais parasitas (na tradição de Marie-José Malis, com quem também colaborou).

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