Centenas de pessoas despediram-se esta terça-feira de dois pandas do Jardim Zoológico de Tóquio que devem deixar o Japão rumo à China, privando o arquipélago destes animais emblemáticos pela primeira vez em meio século num cenário de tensões entre os dois países.

“Venho vê-los desde que nasceram”, disse à AFP Nene Hashino, de 40 anos, vestindo uma jaqueta com a imagem dos gêmeos Lei Lei e Xiao Xiao, que serão transportados de caminhão do zoológico de Ueno, onde nasceram em 2021.

“É como se meus próprios filhos estivessem indo para muito longe. É triste”, acrescentou ela, segurando um bichinho de pelúcia.

A saída precipitada dos mamíferos foi anunciada no mês passado, após o repentino endurecimento das relações sino-japonesas causado pelas declarações da conservadora primeira-ministra japonesa, Sanae Takaichi, segundo as quais Tóquio poderia intervir militarmente no caso de um ataque a Taiwan.

Estas declarações suscitaram a ira de Pequim, que reivindica a soberania sobre esta ilha e, em resposta, aconselhou nomeadamente os seus cidadãos a não viajarem para o Japão.

Os animais foram emprestados como parte do programa “diplomacia do panda” da China e simbolizam a amizade entre Pequim e Tóquio desde a normalização das relações diplomáticas em 1972.

O panda gigante Xiao Xiao em seu recinto no Zoológico de Ueno, em Tóquio, no último dia em que pôde ser admirado pelo público antes de sua partida para a China, 25 de janeiro de 2026 (AFP - Philip FONG)
O panda gigante Xiao Xiao em seu recinto no Zoológico de Ueno, em Tóquio, no último dia em que pôde ser admirado pelo público antes de sua partida para a China, 25 de janeiro de 2026 (AFP – Philip FONG)

Esta repatriação ocorre um mês antes do término do período de empréstimo, em fevereiro, segundo a Prefeitura de Tóquio que, segundo alguns meios de comunicação, busca obter o empréstimo de novos exemplares.

“De acordo com o acordo entre a China e o Japão, os pandas gigantes que viviam no Japão, Xiao Xiao e Lei Lei, iniciaram hoje a sua viagem de regresso à China”, disse o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Guo Jiakun.

“Como sempre, convidamos o público japonês a vir ver os pandas gigantes na China”, acrescentou.

– “Tão triste” –

No domingo, os 4.400 ganhadores de uma loteria online puderam admirar os pandas pela última vez.

E na terça-feira, admiradores vestidos com roupas, chapéus ou distintivos com a imagem de pandas esperaram horas pelas ruas que fazem fronteira com o zoológico para testemunhar sua partida.

Gritos soaram quando o caminhão sem janelas que transportava os irmãos passou pelos portões do parque.

“É tão triste. Perdi uma parte do meu coração”, disse Daisaku Hirota, um funcionário de uma loja de 37 anos.

Pequim recolhe regularmente pandas enviados para o estrangeiro e esta decisão pode não ser motivada por razões políticas, acredita Masaki Ienaga, professora da Universidade Cristã Feminina de Tóquio e especialista em relações internacionais na Ásia Oriental.

Na política chinesa, “o momento do envio dos pandas é mais importante”, explica ele, acrescentando que novos pandas poderão regressar ao Japão se as relações bilaterais melhorarem.

A utilização de animais como instrumentos diplomáticos existe noutros lugares, lembra ele, por exemplo, elefantes na Tailândia ou coalas na Austrália.

Mas para ele “os pandas são especiais”, porque “têm um forte poder de atração e (…) podem trazer dinheiro”.

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