Dos muitos julgamentos que o Movimento Nacional (RN) deverá resolver, este talvez seja o mais injusto: o partido ficaria “socialista”. Principal encarnação desta suposta linha, o deputado do Somme, Jean-Philippe Tanguy, às vezes faz de tudo para se livrar do rótulo feio. “Somos verdadeiros liberais!” O Estado no seu devido lugar, e limpeza por todo lado! »escreveu um dia, com um emoji de “vassoura”, a Sophie de Menthon, diretora de mídia do lobby patronal Ética. Tijolo por tijolo, o RN está a trabalhar para aplicar esta mudança nas suas votações e nas suas propostas de alteração, como o debate orçamental deu prova.
Se o postulado anti-imigrante é intangível, nas questões económicas o RN varia muitas vezes, desde o parêntese Reaganiano de Jean-Marie Le Pen, o fundador da Frente Nacional (antigo nome do RN), até ao período isolacionista da sua filha, Marine Le Pen, na década de 2010, passando mesmo por uma fase em que esta última se dizia inspirada por certas medidas “alter-globalizacionistas”. Desde 2017, o partido de extrema-direita tem tentado a grande lacuna entre o seu habitus Poujadista, que consiste em defender “o pequeno contra o grande”, e a adopção de medidas favoráveis às grandes empresas e aos activos mais ricos.
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