Após uma reunião entre o presidente americano, Donald Trump, e seu homólogo sul-coreano, Lee Jae-myung, a Coreia do Sul e os Estados Unidos anunciaram na quarta-feira, 29 de outubro, que haviam finalizado um acordo comercial negociado durante vários meses. “Fizemos um acordo. Fizemos muitas coisas diferentes”declarou o líder americano, referindo-se “uma excelente sessão” na cidade sul-coreana de Gyeongju.
Seul e Washington conseguiram finalizar um vasto acordo comercial, incluindo direitos aduaneiros sobre automóveis e especificando compromissos de investimento sul-coreanos, confirmou Kim Yong-beom, conselheiro sénior do presidente sul-coreano.
Segundo ele, o compromisso firmado entre os presidentes americano e sul-coreano prevê uma redução para 15% dos impostos alfandegários que os dois países impõem entre si sobre os automóveis, um plano de investimento sul-coreano de 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos. “incluindo 200 mil milhões em dinheiro e 150 mil milhões para cooperação no setor da construção naval”.
“Basicamente finalizámos o nosso acordo comercial e discutimos outros temas relacionados com a segurança nacional e assim por diante. E penso que chegámos a uma conclusão sobre muitos pontos muito importantes.”declarou Trump, durante um jantar com os líderes da Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC).
Relacionamentos tensos
No final de julho, o líder norte-americano anunciou que tinha concordado em reduzir os direitos aduaneiros sobre os produtos sul-coreanos para 15% em troca do compromisso de Seul de investir 350 mil milhões de dólares nos Estados Unidos e de comprar 100 mil milhões de gás natural liquefeito (GNL) americano e outras fontes de energia durante os próximos três a quatro anos.
Mas as sobretaxas sobre os automóveis persistiram e os termos destes investimentos foram calorosamente debatidos. A prisão de centenas de trabalhadores sul-coreanos pela polícia de imigração dos EUA prejudicou ainda mais as relações entre os dois países.
Seul procurava finalizar os termos deste acordo crucial, especialmente para a sua indústria automóvel. O mercado americano absorve metade das exportações de automóveis sul-coreanas, que representam 27% do total das exportações do país para os Estados Unidos.
Além disso, o presidente sul-coreano especificou em Agosto que 150 mil milhões do total de investimentos previstos seriam destinados à construção naval, e o restante a sectores como semicondutores, baterias, biotecnologias e até energia.
A Coreia do Sul, o segundo maior construtor naval do mundo, logo atrás da China, concentrou-se neste sector nas suas negociações com os Estados Unidos, cujos estaleiros estão a lutar para satisfazer a procura interna, e que Trump gostaria de ver fortalecido.