Foram necessários onze meses de investigação para reconstruir o cenário preciso do gigantesco apagão que mergulhou Espanha e Portugal na escuridão. Se um fenômeno de sobretensão for de fato a causa do incidente, o relatório identifica uma série de falhas na cadeia. Ao contrário do que lemos no passado, as energias renováveis não são realmente as culpadas.

Quase um ano depois do gigantesco apagão que atingiu a Península Ibérica, são agora conhecidas as conclusões dos especialistas. No total, foram mobilizados 49 especialistas do setor elétrico para analisar este evento ocorrido no dia 28 de abril de 2025 às 12h33.
Nos dias que se seguiram ao corte, surgiram várias hipóteses: ataque cibernético, experimentação governamental ou mesmo desequilíbrio ligado à abundância de energias renováveis.
Todas as possibilidades foram finalmente descartadas pelo governo espanhol, que apontou um fenómeno de surtos. O relatório final publicado na semana passada, porém, vai mais longe.
Os especialistas apontam não para uma causa única, mas para uma sucessão de falhas técnicas que levaram ao colapso dos sistemas eléctricos espanhóis e portugueses.
Uma reação em cadeia
A queda de energia, concluem os especialistas, não foi o resultado de um único evento repentino, mas sim de uma reação em cadeia que ocorreu em poucos minutos. O incidente é “ o resultado de múltiplos fatores interagindo », Explicam no documento.

Avaliado em 9/10 por Frandroid, o SolarFlow 2400AC+ em pacote custa -€420!
A sua produção solar excede o seu consumo? O SolarFlow 2400AC+ direciona automaticamente o excedente para as baterias para uso à noite. Reduza sua conta 24 horas por dia.
Tudo começou com uma instabilidade na tensão da rede ibérica. Em poucos momentos, flutuações e oscilações aparecem e enfraquecem todo o sistema.
A situação piora quando as centrais eléctricas ligadas através de inversores (principalmente centrais solares e eólicas) reagem a esta instabilidade desligando-se automaticamente. No espaço de um minuto, cerca de 880 MW de produção desaparecem da rede.
Este primeiro desequilíbrio leva a outros. As perdas de produção estão se acelerando e causando uma cascata de desconexões. No total, cerca de 2,5 GW saem da rede, perturbando completamente o equilíbrio entre a produção e o consumo de eletricidade.
O ponto de ruptura é finalmente atingido quando a rede ibérica fica fora de sincronia com o resto do sistema eléctrico europeu. Espanha e Portugal encontraram-se então isolados electricamente e todo o território mergulhou num apagão generalizado.
Falhas estruturais
Segundo o relatório, diversas deficiências no sistema elétrico levaram ao incidente. O primeiro foi identificado no nível de controle de tensão. Numa rede elétrica, isto deve permanecer dentro de uma faixa muito precisa. No entanto, os meios disponíveis para a regular revelaram-se ineficazes. Resultado: as primeiras flutuações não puderam ser corrigidas a tempo.
Os analistas também mencionam um problema no comportamento da potência reativa do equipamento. Concretamente, isto significa que determinados ativos da rede (centrais, linhas e equipamentos) não reagiram como esperado às perturbações, o que agravou os desequilíbrios.

Os sistemas de proteção também são destacados. Eles teriam sido configurados de forma muito conservadora, segundo analistas. Claramente, as configurações levaram muitas instalações a serem desconectadas prematuramente.
Finalmente, os especialistas mencionam a falta de observabilidade da rede. Os operadores não tinham uma visão suficientemente precisa e em tempo real da situação. A falta de informação teria assim limitado a sua capacidade de intervir eficazmente neste período crítico.
Recomendações para fortalecer a resiliência da rede
No final da análise, os especialistas fazem várias recomendações para evitar que tal incidente aconteça novamente. É dada prioridade ao fortalecimento do controle de tensão e da potência reativa. O objectivo é reforçar os meios técnicos para estabilizar a tensão em tempo real.
O relatório também enfatiza a mudança de comportamento das instalações renováveis. Os parques solares e eólicos terão de poder permanecer ligados durante mais tempo em caso de perturbação, a fim de evitar perdas maciças na produção. As configurações dos sistemas de proteção também deverão ser revistas. O desafio é encontrar um equilíbrio entre a proteção dos equipamentos e a estabilidade global da rede, de forma a evitar desconexões em cascata.

Em relação à observabilidade da rede, os gestores devem ter uma visão muito mais precisa e em tempo real do que está acontecendo. Isto envolve, entre outras coisas, uma melhor recolha de dados, bem como uma partilha mais eficiente entre os diferentes intervenientes no sector eléctrico.
Os especialistas recomendam também o reforço dos mecanismos de defesa da rede, especialmente através de estratégias de dissociação controlada, para limitar a escala dos incidentes. Ao mesmo tempo, os procedimentos de recuperação devem ser optimizados para acelerar o restabelecimento da electricidade após um apagão.