Com a chegada de 4 Zeros aos cinemas, a Première selecionou os onze tipos de filmes sobre futebol.

A lenda segundo a qual não existem bons filmes sobre futebol é parcialmente verdadeira: o futebol é um desporto ao vivo onde as fases de ataque-defesa são vividas em apneia pelos espectadores. Como reproduzir isso no cinema sem distorcer, sem aparecer falso ?
Ao contrário do boxe, onde o espaço do ringue favorece os close-ups e a montagem de cortes contundentes (e onde se trata apenas de filmar dois atores altamente treinados se socando na cara, tragédia garantida!), o futebol deve ser entendido na sua totalidade, com jogadores espalhados pelos quatro cantos do campo que geralmente não fazem nada de extraordinário, a não ser pressionar e desarmar – ações elegantes são raras. Nada de muito cinematográfico nisso. No entanto, existem algumas exceções cinematográficas. Aqui está nossa equipe típica.

11. Procurando por Érico (Ken Loach, 2009)

Eric Cantona como guia espiritual de um dos seus maiores adeptos, um carteiro de Manchester no centro de uma fase difícil da sua vida… Iniciado pelo próprio King Eric, dez anos após a sua saída do Manchester United, onde, em cada jogo, fez ressoar a Marseillaise em Old Trafford, este projecto foi assumido imediatamente por Ken Loach, apoiante (e accionista) do pequenino clube semi-profissional Bath City. Depois de dois filmes difíceis (O vento aumenta E É um mundo livre), o cineasta inglês ofereceu-se assim uma pequena bolha de humor e poesia, impulsionada pela auto-zombaria de Cantona brincando com as suas explosões verbais que fizeram a sua lenda. Tendo como símbolo, uma linha passada à posteridade: “Eu não sou um homem. Sou Cantona!”

10. Os Dois Escobares (Jeff e Michael Zimbalist, 2010)

Para entender o fervor que reina em torno do futebol e entender por que a Copa do Mundo é muito mais do que assistir milionários chutando uma bola, é útil assistir Os Dois Escobares. Um documentário edificante que traça o improvável destino cruzado de Pablo Escobar, o famoso traficante de drogas, e Andrés Escobar, o futebolista internacional colombiano, que não eram parentes. Louco por futebol, Pablo Escobar usou sua imensa fortuna para fazer da Colômbia uma grande nação no esporte, primeiro elevando o clube Atlético Nacional ao topo do continente sul-americano e depois colocando a seleção nacional entre as favoritas à Copa do Mundo de 1994. Com um gol contra os Estados Unidos, o virtuoso Andrés infelizmente precipitou a eliminação de sua seleção, e foi morto a tiros no retorno ao país. Alguns meses depois de Pablo. Parece muito com um spin-off maluco da série Narcos.

9. Jogue como Beckham (Gurinder Chadha, 2002)

A figura mítica de Beckham cristaliza uma comédia sobre família, raízes, imigrantes, lésbicas, o poder do futebol inglês… Tudo gira e tudo funciona maravilhosamente bem. Um pequeno milagre, na verdade. Mas como os ingleses conseguem colocar tanta coisa num só prato sem que fique sobrecarregado ou gorduroso?

8. Hooligans (Lexi Alexander, 2005)

Os cineastas observaram por vezes os apoiantes com um olhar terno (a adaptação de Cartão amarelo por Nick Hornby com Colin Firth como um fanático do Arsenal), mas na maioria das vezes é com o pé-de-cabra (Michel Serrault iluminado perseguindo o homem de preto interpretado por Eddy Mitchell em Morte ao árbitro! por Mocky). Aqui Elijah Wood é um jovem americano expulso injustamente de Harvard que se encontra no coração destes hooligans ingleses prontos a tudo para defender a imagem e a reputação do seu clube, com grandes golpes de virilidade exibida e exacerbada. Ex-campeã mundial de caratê, Lexi Alexander consegue mostrar violência seca sem nunca acrescentar nada a ela. Ela entendeu que nada poderia superar a realidade neste assunto.

7. A área de grande penalidade (Christophe Regin, 2017)

Dissemos todas as coisas boas que pensávamos sobre este drama que se centra no lado pouco lisonjeiro do futebol, encarnado pelos homens sombrios dos clubes responsáveis ​​por zelar pelos jogadores – especialmente pelas suas relações. Franck Gastambide interpreta um desses guardas, um ex-profissional bem pago por um treinador indiferente às suas pretensões como treinador de jovens. Um filme bastante desesperador que testemunha o cinismo presente nos conselhos de administração dos clubes profissionais e a imaturidade dos jogadores, lamentáveis ​​​​crianças mimadas do sistema.

6. Didier (Alain Chabat, 1997)

Não vamos lembrar até que ponto o primeiro longa de Chabat é uma comédia hilária, não é mesmo? Mas acontece que Didier não é apenas a história de um labrador que se transforma em homem, é a história de um labrador que se transforma em homem E que se torna um deus do futebol. E deste ponto de vista o final do filme (onde Dieudonné e Serge Hazanavicius, irmão e Michel e co-roteirista de Delfina 1, Yvan 0 que poderia ter aparecido nesta lista) o comentário sobre a partida de futebol onde todos os jogadores têm nomes importantes (como “Cureless”) é também uma radiografia de um certo espírito do Canal+/futebol do final do século XX.

5. Os Malditos Unidos (Tom Hooper, 2009)

Antes de se perder na pastelaria do Oscar (Imagem: Instagram)O discurso de um rei, Os Miseráveis, A garota dinamarquesa…), Tom Hooper havia assinado um grande sucesso: a adaptação do livro de David Peace que narra de forma bastante ficcional a trajetória do (violento) time do Leeds em 1974 sob a direção do lendário técnico Brian Clough. É o encontro de dois universos: o de David Peace (autor de romances noir proletários muito violentos ambientados no Norte inglês) e o de Peter Morgan (roteirista estrela da elite britânica). Um encontro tão impactante quanto sangrento, onde o futebol é visto do lado de fora e do vestiário, onde nos arrastamos na lama das travessuras e da corrupção. É também o filme que revelou Michael Sheen ao mundo atônito.

4. Cabeçada (Jean-Jacques Annaud, 1979)

Estamos em 1979, logo após a épica Taça dos Campeões Europeus dos Verdes. Jean-Jacques Annaud faz de Patrick Dewaere um jogador brilhante, mas incontrolável, uma espécie de Cantona semi-profissional provinciano, contratado para salvar seu time após ser expulso dele. Hipocrisia e oportunismo de notáveis, fervor mutável e imbecil dos torcedores, heroização dos jogadores de futebol, excessos dos negócios do futebol… De forma premonitória, Annaud discerne no futebol a sua dimensão societária que os doutorandos só descobriram em 1998.

3. Cosmos de Nova York (Paul Crowder, John Dower, 2006)

Muito mais do que uma simples imersão num clube de futebol, este documentário pinta um retrato de Nova Iorque em plena década de 70, com a sua loucura e os seus excessos. E conta uma história de sucesso como nenhuma outra, nascida da vontade do chefe da Warner Communications de importar futebol (não americano, mas o outro) para os EUA e, para isso, reunir os melhores jogadores do mundo (Pelé, Beckenbauer, Cruyff…) em Nova York. No entanto, nada estará realmente à altura das suas grandes ambições e a história da fundação deste clube encontra-se repleta de anedotas que um realizador de ficção nunca teria ousado inventar (intervenção de Kissinger para trazer Pelé do Brasil para os EUA, decisão de pintar de verde o campo podre em que este clube começou a fazer o brasileiro acreditar que caiu num verdadeiro clube profissional…). Cosmos de Nova York também conta com verdadeiros coadjuvantes, rostos incríveis como Georgio Chinaglia, craque do time odiado por todos, que conseguiu a demissão de um técnico para que todos jogassem por um único objetivo: fazê-lo marcar. Um episódio de Os Sopranos. Um verdadeiro.

2. Futebol Shaolin (Stephen Chow, 2001)

Um grupo de braços quebrados pretende ganhar um campeonato de futebol: só que esses braços quebrados são mestres em artes marciais que jogarão futebol usando suas supertécnicas de combate. Imensamente engraçado e emocionante, cheio de efeitos vertiginosos. Um verdadeiro filme de kung fu levado ao extremo, misturando inspirações de animação e videogame em uma combinação fatal. Mesmo que a obra-prima de Stephen Chow seja sua Kung Fu louco feito depois, Futebol Shaolin é um filme maluco que explode regras e gêneros.

1. Olhos no azul (Stéphane Meunier, 1998)

OK, você vai nos dizer que não é um filme, mas um documento feito para a televisão. Certamente. Mas que filme sobre futebol, que documentário mesmo, alguma vez rivalizou no impacto das imagens captadas no local, na privacidade do balneário, por Stéphane Meunier? Numa época em que a internet e os telefones celulares mal existiam, Olhos no azul (que título!) ofereceu uma experiência imersiva única, um novo olhar sobre os bastidores do rei do esporte (praticamente desprovido de imagens reais do futebol), cujo poder emocional permanece intacto vinte anos depois. Da mesma forma que os “filmes de Mohamed Ali” (Muhammad Ali, o Maior por William Klein e Quando éramos reis por Leon Gast), Olhos no azul é o modelo inoxidável do filme esportivo.

Onde foram filmadas as sequências de futebol de 4 Zeros?

Fonte

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *