Esta é uma das descobertas arqueológicas mais importantes na França em 50 anos: o tesouro excepcional desenterrado no túmulo de um príncipe celta em Lavau (Aube), no nordeste do país, será revelado pela primeira vez ao público no sábado.
Os 80 objetos, datados de cerca de 450 a.C., ficarão expostos até 21 de junho no Museu de Arte Moderna de Troyes, não muito longe de onde foram encontrados.
Naquela que é hoje uma zona comercial, arqueólogos do Inrap (Instituto Nacional de Investigação Arqueológica Preventiva) descobriram em 2014-2015 um complexo funerário composto por um grande recinto e um pórtico monumental que dá acesso a um túmulo através de uma rampa, todos selados com um túmulo com mais de oito metros de altura.
Uma câmara mortuária de 14 m2 abrigava um esqueleto adornado com um torque (uma espécie de colar) e pulseiras de ouro.

Deitados em uma carruagem de duas rodas, os restos mortais foram cercados por talheres usados durante os banquetes.
Os estudos e trabalhos de restauro deste tesouro, contemporâneo ao encontrado no túmulo da Princesa de Vix, a cerca de sessenta quilómetros de distância, demoraram cerca de dez anos.
Foram necessárias 700 horas de trabalho para devolver o seu esplendor a um grande caldeirão de bronze, com cabos finamente decorados com cabeças de felinos e figuras representando o deus do rio Aqueloos.
“No momento da escavação, não esperávamos esta descoberta”, disse o arqueólogo Bastien Dubuis, responsável pelo sítio, durante uma apresentação à imprensa.
“Descemos aos poucos até o sedimento e encontramos um centímetro quadrado de metal verde. Levantei um torrão de terra e me apareceu o rosto travesso de Aqueloos. Só mais tarde é que entendemos que o objeto era muito maior”, lembra.
O contentor com um metro de diâmetro, um dos maiores conhecidos até à data, podia conter entre 200 e 300 litros de vinho, cujos vestígios foram encontrados na cuba. Um vinho tinto, importado e aromatizado, à moda mediterrânica da época.

– Diversidade cultural –
Tal como outros objectos encontrados no túmulo, testemunha a diversidade cultural deste sector do Pequeno Sena, no cruzamento das rotas comerciais.
Como outra grande peça de Lavau: um oenochoé ático. Este vaso de vinho de uma oficina grega foi embelezado pelos celtas com a adição de decorações em ouro e prata, representando uma divindade estilizada.
“Estamos na presença de um artesanato da corte”, de “elevado tecnicismo”, nota a arqueóloga Emilie Millet, tomando como exemplo uma fíbula dourada decorada com pequenos leões alados “de apenas 3 mm”.

“O príncipe conseguiu atrair para o seu lado artesãos de diversas origens. O que talvez explique o caráter híbrido desta produção, um pouco etrusca, um pouco grega, um pouco celta”, afirma.
Os restos mortais do príncipe, que deve ter vivido no local da atual cidade de Troyes, estão “consideravelmente ausentes” da exposição, por razões de conservação, mas sobretudo de “ética”, sublinha a antropóloga Valérie Delattre.
“Os objetos são suficientes por si só”, acredita a investigadora, para quem apresentar o seu esqueleto “não faria sentido”.
Mas dez anos de pesquisa permitiram aos cientistas conhecê-lo melhor.
Este homem, de aproximadamente 1,70 metros de altura, “cabelos castanhos lisos” e pele “escura”, morreu “na casa dos trinta”, detalha Delattre.
Seus dentes quase perfeitos mostram que ele “vivia num ambiente privilegiado”. Após sua morte, seu corpo foi tratado para preservá-lo enquanto seu funeral era organizado.

Um tratamento “provavelmente reservado a uma elite, o que nos mostra que se trata de uma pessoa de alto escalão”, sublinha.
Com este “monumento de dimensões extraordinárias”, a “óbvia riqueza de objetos recolhidos no túmulo”, o termo príncipe também é um pouco restrito.
“Não estaríamos finalmente na presença de um rei?”, pergunta Dubuis.