Ttrês milhões de páginas, 2.000 vídeos, 180.000 fotos: estas estatísticas impressionantes não dizem nada por si só. Eles apenas desenham uma avalanche confusa. Foi Todd Blanche, número dois do Departamento de Justiça dos Estados Unidos, quem as apresentou em 30 de janeiro, para ilustrar as supostas boas disposições da administração Trump no caso Epstein. De acordo com a lei aprovada no Congresso em dezembro de 2025 e assinada, com grande desagrado, pelo presidente norte-americano, foi publicada grande parte dos arquivos relativos ao predador sexual Jeffrey Epstein, falecido na prisão em 2019. Muitos documentos foram redigidos, de acordo com critérios pouco claros. O Departamento de Justiça ainda mantém alguns dos arquivos, incluindo tudo relacionado à pornografia, abuso físico e mortes. Este esclarecimento de Todd Blanche só pode alimentar suspeitas generalizadas.
O caso Epstein tornou-se um poço envenenado. Seus remugles confirmam todas as fantasias. Aí encontramos correspondência privada do financiador por e-mail, trocas por SMS, documentos judiciais e notas policiais, que desenham uma imensa teia de relações entre poderosos, na encruzilhada da política, da diplomacia, do entretenimento e dos negócios. Mas quando já não é possível distinguir factos indiscutíveis, elementos incompletos e alegações infundadas, quando a simples menção de uma personalidade num documento alimenta a ideia de cumplicidade, só podemos afogar-nos neste poço.
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