Novo século. Em 9 de janeiro de 2000, uma sitcom vinda do nada chegou ao canal americano Fox. Entre os gigantes que são Os Simpsons E Arquivos Xum pré-adolescente doentio filmado em grande angular questiona 22,4 milhões de espectadores americanos: “Você sabe o que há de melhor na infância? É que, em algum momento, ela acaba.” No total, sete temporadas de Malcolm no meio (título americano) foram produzidos e, na França, seus 151 episódios de 23 minutos programados até a saciedade nos canais do grupo M6. Vinte anos após a transmissão americana do último episódio, Malcolm está de volta: uma minissérie em quatro partes, Malcolm. Nada mudou (Malcolm no meio: a vida ainda é injusta), estará visível a partir de 10 de abril no Disney +. O que nos leva a perguntar por que o seu mais antigo se tornou, como diz a expressão, “cult”.
Resumo expresso para quem pulou as inúmeras retransmissões: acompanhamos, ao longo de vários anos, as aventuras trash e burlescas de uma família de classe média em uma América empobrecida e desigual. Há o pai louco (Hal), a mãe autoritária (Lois), o irmão mais velho rebelde (Francis), o irmão estúpido (Reese) e o filho mais novo (Dewey). E no meio: Malcolm, 10 anos, um pequeno gênio chato que fala diretamente para a câmera, como se quisesse sair dessa crise. No documentário História alta da juventude dirigido por Aurélien Guégan e Marie Durrieu (2020), dois trechos da sitcom são utilizados para ilustrar o final da década de 1990, e comentados da seguinte forma: “O adolescente patético e retardado chega às telas como um dedo médio para os adultos. A estupidez se torna a atitude mais eficaz para irritar o mundo.”
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