
Em quantidade e qualidade, o sono dos franceses continua a deteriorar-se, nomeadamente sob o efeito da poluição sonora e luminosa, da hiperconexão, do calor, mas também do escalonamento do horário de trabalho, alertou terça-feira o Instituto Nacional do Sono e Vigilância.
“Em média, os franceses dormem 6 horas e 50 minutos durante a semana e 7 horas e 48 minutos nos fins de semana”, há menos de um ano, segundo o último inquérito anual realizado pela empresa de sondagens Opinionway para o INSV e a fundação Vinci Autoroutes entre mil franceses com idades entre os 18 e os 65 anos, representativos da população.
Um quarto dos entrevistados afirma dormir menos de 6 horas por noite e mais de um em cada dois afirma acordar cansado. Mais de um terço dos franceses (38%) também relatam problemas de sono, liderados pela insônia.
Antes do 26.º Dia do Sono que organiza na sexta-feira, o INSV lembra que as perturbações do sono podem prejudicar a saúde física e psicológica, e destaca o impacto de estilos de vida que perturbam os ritmos biológicos e fatores nocivos (luz, ruído, calor, etc.).
A falta de exposição à luz natural durante o dia (71% dos inquiridos passam menos de uma hora por dia fora de casa durante a semana) e a sobreexposição à luz artificial à noite (58% dormem com um smartphone ligado no quarto) contribuem assim para perturbar o relógio interno.
Quase um em cada cinco franceses também afirma trabalhar à noite ou em horários irregulares ou escalonados, situação que diz respeito “mais frequentemente às populações de baixos rendimentos, mulheres e jovens adultos”, nota o INSV.
Os incômodos noturnos também têm impacto: o ruído vem em primeiro lugar para mais de um terço dos franceses (36%). O calor é cada vez mais perturbador (81% afirmam que episódios de calor elevado perturbaram o sono).
No entanto, no que diz respeito ao sono, existem desigualdades entre os franceses, muitas vezes sobrepostas a desigualdades de saúde, sociais e territoriais.
Por exemplo, as doenças crónicas aumentam o risco de distúrbios do sono, tal como o sexo feminino. E as pessoas que vivem em apartamentos ou na cidade estão mais expostas à poluição sonora ou às ondas de calor.
Sendo “o sono um sintoma e um agravante dos problemas de saúde”, “é fundamental adotar uma abordagem global, que vá além dos cuidados individuais”, defende o professor Jean-Arthur Micoulaud-Franchi, presidente do conselho científico do INSV, no comunicado.
Para o Sleep Day, mais de 60 centros e estruturas especializadas abrirão ao público.