
É oficial: as câmeras Lapi podem ser usadas para crimes. Será isto um passo no sentido de uma maior segurança ou um risco para as nossas liberdades?
O Senado acaba de aprovar a generalização dos dispositivos automatizados de leitura de placas, mais conhecidos pelo doce nome de Lapi. A Câmara Alta também autorizou a retenção dos dados recolhidos no combate ao crime.
A votação no Senado valida projeto de lei do senador Pierre-Jean Rochette, de 17 de dezembro, que visa melhorar a leitura de placas pelos policiais. O texto, que já foi votado, amplia o escopo das infrações. Na verdade, até agora estas câmaras Lapi eram utilizadas principalmente nas grandes cidades para penalizar falhas de estacionamento. Para ser mais concreto, estes são os radares incorporados nos veículos da polícia que verificam as matrículas em tempo real em busca de carros que não pagaram pelo seu lugar de estacionamento.
Amplos poderes para a polícia
O projeto de lei da senadora Rochette amplia, portanto, a possibilidade de utilização desta tecnologia para outros fins, e mais precisamente em questões de combate ao crime organizado. Assim, dispositivos automatizados de leitura de placas podem agora ser utilizados em investigações de furtos agravados, fugas, recebimento de bens furtados ou mesmo auxílio em entrada ou permanência ilegal.
É, portanto, concedido às autoridades responsáveis pela aplicação da lei o direito de utilizar câmaras Lapi no caso de novas missões, mas também beneficiam de apoio adicional, na medida em que os dados recolhidos podem agora ser conservados por mais tempo. Na verdade, o período durante o qual os dados podem ser utilizados aumenta para um ano (sujeito a autorização judicial), face ao mês anterior.
Um sistema e uma lei contestados
A votação no Senado não foi uma simples formalidade para o projeto da senadora Rochette. O grupo ambientalista, em particular, opôs-se à extensão do Lapi, denunciando uma tendência para a vigilância da população, e mais particularmente dos cuidadores e migrantes.
Certamente não faltam à oposição argumentos para apoiar estes receios. Na verdade, o texto inicial também previa que o Lapi pudesse ser utilizado, como medida preventiva, durante grandes eventos ou reuniões excepcionais. Estas poderiam incluir eventos desportivos de grande escala, bem como manifestações de cidadãos. Por fim, o texto também menciona a integração generalizada do Lapis nos sistemas de videovigilância a partir de 2028. Dos 650 dispositivos atuais, a rede Lapi poderá aumentar para mais de 5.000 em dois anos, graças a esta lei.
A oposição a esta lei não se limita a algumas bancadas do Senado, vários juristas e advogados sublinham o carácter particularmente intrusivo de Lapi e evocam um “problema de respeito pela vida privada e de proporcionalidade no que diz respeito ao RGPD”. Além disso, nos últimos meses, a CNIL já notificou 39 municípios que utilizaram dispositivos Lapi para fins de polícia administrativa ou judiciária.
O projeto, aprovado em primeira leitura no Senado, deverá agora ser analisado pelos deputados.
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Fonte :
Senado