
O rápido desenvolvimento das tecnologias de ARN mensageiro (ARNm) na medicina reacendeu uma questão sensível na interface do desporto e da saúde: poderão certas formas de dopagem genética tornar-se mais difíceis de detetar com os métodos atuais? Esta preocupação baseia-se em análises científicas e institucionais que alertam para um fosso crescente entre biotecnologia ferramentas antidopagem disponíveis e atuais.
RNA mensageiro: um mecanismo transitório por natureza
O RNAm é um molécula usado naturalmente pelas células para produzir proteínas a partir de uma instrução genética temporária. Ao contrário da terapia genética tradicional, não modifica o DNA e é rapidamente degradado pelo organismo. É este princípio que é utilizado hoje em vacinas de mRNA e em inúmeras abordagens terapêuticas em desenvolvimento.
Do ponto de vista teórico, um mRNA poderia codificar uma proteína endógeno associado ao desempenho fisiológico, como EPO (eritropoetina). Neste caso, a proteína produzida seria biologicamente idêntica àquela sintetizada naturalmente pelo organismo, o que representa um problema de distinção analítica.
Doping genético: um quadro regulamentar já antigo
O doping genético foi proibido desde 2003 pela Agência Mundial Antidopagem.
Está incluído na categoria M3 – Doping Genético e Celular da lista de métodos proibidos, que inclui qualquer manipulação destinada a modificar a expressão genética para fins não terapêuticos.
O problema específico colocado pelaRNA mensageiro se resume a três elementos:
- não está integrado no genoma;
- ele atua sobre um duração curto ;
- pode desaparecer antes de uma verificação.
Estas características biológicas por vezes tornam a detecção direta mais difícil com métodos tradicionais.
Ferramentas em desenvolvimento, mas ainda limitadas
A investigação antidopagem está a progredir. Estudos recentes mostram que tecnologias avançadas, como CRISPR-Cas permitir detectar certos transgenes ou perfis de expressão anormais, sob condições experimentais controladas.
Mas estes métodos continuam a ser complexos para serem implementados em grande escala e dependem fortemente do momento da amostragem.
Em conclusão, o ARN mensageiro não torna o doping genético invisível, mas cria novas zonas cinzentas na luta contra o doping. Sob certas condições, a ausência de vestígios duradouros pode tornar extremamente difícil a obtenção de provas.