euo júbilo de Marine Le Pen evocando “um dia histórico” para o Rally Nacional (RN) é amplamente superestimado. Adotada na quinta-feira, 30 de outubro, na Assembleia Nacional, a proposta de resolução do seu grupo que visa denunciar o acordo franco-argelino de 1968 não é juridicamente vinculativa. Não há obrigação do governo de implementá-lo.
No plano simbólico, por outro lado, a extrema direita obteve uma vitória inegável porque é a primeira vez que foi adoptado um texto que ela carrega no hemiciclo do Palais-Bourbon. Os deputados aprovaram-no por uma maioria muito estreita (185 votos contra 184) com o apoio de metade dos grupos Direita Republicana e Horizontes.
O efeito de espanto criado pelo ganho assim obtido remete todas as outras partes para as suas responsabilidades. Marine Le Pen venceu a rodada porque, em grande parte da direita, a fruta estava madura. Assinado seis anos após o fim da Guerra da Argélia, o acordo de 1968 oferece aos argelinos cláusulas específicas relativas à circulação, imigração e permanência em França. Tornou-se um ponto focal para aqueles que acreditam que a imigração do Magreb é demasiado forte e que a França é demasiado fraca em relação ao regime argelino.
Inicialmente limitado a vários círculos da extrema direita, o desejo de denunciar este acordo foi então endossado pelo ex-primeiro-ministro Edouard Philippe, em 2023, e apoiado ativamente por Les Républicains. O Ministro do Interior, Bruno Retailleau fez disso um dos elementos mais espectaculares do seu confronto com o Presidente da República, sem conseguir demonstrar, no seu ministério, a eficácia da política de firmeza que afirmava.
A fraca mobilização dos macronistas, que poderiam ter derrotado a proposta de resolução do RN, levanta questões. Seja por imprudência ou por cumplicidade passiva, porque o tema da imigração o divide, o partido presidencial não se mobilizou. Gabriel Attal, presidente do grupo Ensemble pour la République, esteve ausente da Assembleia Nacional durante o debate. Apenas 40 deputados (dos 85 aptos a sentar) compareceram e, desse total, apenas 30 votaram contra o texto.
A esquerda indignou-se, com razão, ao recordar que em Janeiro o mesmo Gabriel Attal também tinha defendido que se questionasse o acordo franco-argelino. A sua raiva, no entanto, teria sido mais convincente se ela tivesse conseguido mobilizar todas as suas tropas para conter a ofensiva lepenista. No entanto, faltaram vozes em cada partido de esquerda, incluindo no La France insoumise, apesar de ter sido rápido a denunciar um texto “racista”.
Linhas defensivas cavadas
O RN só é forte pela fraqueza dos seus adversários. Esta é a lição do deplorável acidente ocorrido na quinta-feira, 30 de outubro. Este grande obstáculo marca um novo marco na banalização deste partido de extrema direita. Poderia e deveria ter sido evitado, já que Marine Le Pen não escondeu o seu desejo de encurralar os outros grupos da Assembleia, durante o nicho parlamentar que permitiu ao seu partido apresentar oito textos ao longo de um dia inteiro.
As linhas defensivas foram facilmente quebradas porque o tema da imigração divide cada vez mais a sociedade francesa, porque os diques entre o RN e a direita republicana estão todos a ceder e porque um descuido culposo mina, dia após dia, a eficácia da frente republicana.