Columba Dominguez e Miguel Torruco em “O Rio da Morte” (1955), de Luis Buñuel.

Numa obra tão canonizada como a do espanhol Luis Buñuel, que navegou entre a Europa e a América do Sul, a vanguarda surrealista e o cinema popular, ainda permanecem zonas cinzentas. Principalmente no período mexicano – um exílio de quinze anos (1947-1962), durante o qual se integrou à atual produção de estúdio. Isso é bom, pois é uma peça rara da época, O Rio da Morte (1955), retorna às telas graças a uma versão restaurada. Filmado entre as obras-primas atestadas que são Los Olvidados (1950) ou A vida criminosa de Archibald de la Cruz (1955), o filme tenta uma radiografia dos costumes mexicanos, com essa ironia um tanto oblíqua, característica do cineasta, sempre atuando como observador estrangeiro.

Na aldeia de Santa Viviana, as famílias Anguiano e Menchaca têm um ódio feroz entre si e acertam contas com armas, por causas triviais – a vaca de fulano que supostamente pastava no campo do vizinho. É isso que exigem as tradições, que colocam a honra acima de tudo. Gerardo Anguiano (Joaquín Cordero), um homem culto que se tornou médico, é apanhado nesta vingança sem fim, convocado para vir defender o seu nome e lutar contra o seu inimigo natural, Romulo Menchaca (Jaime Fernandez).

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