O petroleiro russo “Anatoly-Kolodkin”, atracou no porto de Matanzas, a noroeste de Cuba, em 31 de março de 2026.

eu’Anatoly-Kolodkinum petroleiro russo sob sanções que transporta 730 mil barris de petróleo bruto, chegou terça-feira, 31 de março, a Cuba, desafiando assim o bloqueio imposto pelos Estados Unidos ao abastecimento de combustível da ilha comunista. Entrou no porto de Matanzas às 8h15 locais (14h15 em Paris), trazendo ao país a primeira carga de crude em quase três meses.

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O país de 9,6 milhões de habitantes é assolado por recorrentes carências de combustíveis e eletricidade, agravadas pela assinatura por Donald Trump, em 29 de janeiro, de um decreto que proíbe qualquer entrega de hidrocarbonetos por países terceiros, sob pena de cobrança de direitos aduaneiros adicionais. O presidente americano, porém, pareceu mudar de ideia no domingo.

“Se algum país quiser entregar petróleo a Cuba neste momento, não tenho problema com isso, seja a Rússia ou não”disse ele aos jornalistas a bordo do Força Aérea Um. Os cubanos podem “receber uma carga” óleo porque “Eles têm que sobreviver”acrescentou Donald Trump. Outro petroleiro, o Cavalo Marinhodeveria transportar petróleo bruto russo para Cuba, mas mudou de destino em circunstâncias pouco claras. No dia 27 de março, este navio com bandeira de Hong Kong finalmente chegou à Venezuela.

Combustível “essencial”

A chegada do petroleiro a Matanzas já estava prevista para segunda-feira, 30 de março, antes de ser reavaliada para terça-feira pela plataforma especializada MarineTraffic. Na segunda-feira, o Kremlin enfatizou “alegrar-se” da chegada do petroleiro russo. “É claro que a Rússia considera seu dever não ficar de fora e prestar a assistência necessária aos nossos amigos cubanos”disse o porta-voz da presidência russa, falando de um “bloqueio severo” privando a ilha de combustível “essencial” ao seu funcionamento.

Assim que a carga forAnatoly-Kolodkin À chegada a Cuba, serão necessários entre quinze e vinte dias para processar o petróleo, depois outros cinco a dez dias para distribuir os seus produtos refinados, segundo Jorge Piñon, especialista no sector energético cubano da Universidade Americana de Austin, Texas. “A necessidade urgente hoje em Cuba é o diesel”explicou este antigo executivo do sector petrolífero.

A carga russa poderá ser transformada em 250 mil barris de diesel, quantidade suficiente para cobrir a demanda do país por cerca de doze dias e meio, segundo o especialista. O governo terá então de decidir se direcionará este combustível para geradores de emergência ou para os autocarros, tratores e comboios necessários para manter a economia a funcionar durante duas semanas.

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O mundo com AFP

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