O Parlamento Europeu suspenderá, na segunda-feira, 23 de fevereiro, o procedimento de implementação do acordo comercial entre a UE e os Estados Unidos, tendo em conta a decisão do Supremo Tribunal americano que invalida os direitos aduaneiros de Donald Trump, afirmaram vários responsáveis eleitos antes de uma reunião extraordinária sobre este assunto.
O presidente da comissão de comércio internacional do Parlamento, o social-democrata alemão Bernd Lange, convocou uma reunião de emergência para a tarde de segunda-feira, com vista a suspender os trabalhos de aprovação e implementação do acordo. Na segunda-feira, representantes dos principais grupos confirmaram à Agence France-Presse (AFP) que apoiavam esta abordagem.
A eurodeputada Zeljana Zovko (PPE, à direita) explicou que apoiava a suspensão do procedimento “até que a Comissão tenha esclarecido com os Estados Unidos as condições dos novos direitos aduaneiros” anunciado pelo presidente americano. Assim como os centristas do Renew, como Karin Karlsbro, que garantiu no X: “Não poderemos votar o acordo até que o impacto da decisão do Supremo Tribunal seja esclarecido”. Pelos Verdes, a deputada alemã Anna Cavazzini também se declarou a favor da suspensão.
A comissão de comércio internacional do Parlamento deveria votar na terça-feira a implementação deste acordo, antes da votação dos eurodeputados em sessão plenária, marcada para o próximo mês.
“Um acordo é um acordo”
Este procedimento já tinha sido suspenso em janeiro pelo Parlamento, devido às ameaças de Donald Trump de anexar a Gronelândia, e depois relançado após o abandono dos seus objetivos em território dinamarquês.
O acordo, concluído no verão passado após intensas negociações entre Bruxelas e Washington, permitiu limitar a 15% os direitos aduaneiros impostos pelos Estados Unidos à maioria dos produtos europeus, longe dos 30% que o presidente norte-americano tinha ameaçado aplicar. Em troca, a UE comprometeu-se a eliminar os seus próprios direitos aduaneiros sobre as importações dos EUA, o que requer o acordo do Parlamento Europeu.
Por seu lado, a Comissão Europeia declarou no domingo que espera que os Estados Unidos respeitem este acordo comercial, enquanto Donald Trump decretou um novo imposto aduaneiro global de 10%, posteriormente aumentado para 15%. “Um acordo é um acordo. Como maior parceiro comercial dos Estados Unidos, a UE espera que os Estados Unidos respeitem os compromissos assumidos na Declaração Conjunta, tal como a UE respeita os seus próprios.declarou o executivo europeu num comunicado de imprensa.
A Comissão também exigiu “esclarecimento completo sobre as ações que os Estados Unidos pretendem tomar” após decisão do Supremo Tribunal.