Terça-feira, 10 de março, em Wolfsburg (Baixa Saxônia), sede do grupo Volkswagen, o patrão, Oliver Blume, nem sequer tentou agir como se os anos prósperos pudessem um dia voltar. Para o principal fabricante automóvel europeu, que apresentou os seus resultados, trata-se acima de tudo de sobreviver à tempestade que afecta toda a indústria automóvel e de negociar um lugar num ambiente competitivo global que se tornou extremamente feroz.
A única certeza: no futuro teremos de fazer melhor, com muito menos, alertaram os dirigentes. Um novo plano social está em preparação. Até ao final da década, o grupo empregará menos 50.000 funcionários no Reno do que no início de 2024, quando tinha quase 300.000 funcionários. “Vemos que o modelo económico que apoiou o Grupo Volkswagen durante décadas já não funciona na sua forma atual. Isto aplica-se a toda a indústria automóvel alemã e, na verdade, a toda a Alemanha.” disse o Sr. Blume.
Para contrariar a crise, o fabricante anunciou a intenção de continuar a restringir os gastos, prolongando as medidas de austeridade levadas a cabo nos últimos três anos, onde as fábricas alemãs viram os seus custos de produção cair 20%, disseram os executivos. Contudo, estes cortes drásticos são insuficientes para fazer face à concorrência chinesa, que está a acelerar a exportação maciça dos seus veículos ultracompetitivos para a Europa, alertou Blume. O novo plano social anunciado diz respeito a todo o grupo: além da eliminação de 35 mil postos de trabalho já anunciada no final de 2024 na Volkswagen, 15 mil postos de trabalho adicionais terão de desaparecer na Audi, na Porsche e na subsidiária de software Cariad, até 2030.
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