Perante a desertificação médica e as dificuldades de acesso aos cuidados, o governo vai permitir que os médicos façam um pouco mais de teleconsultas, uma prática relativamente pouco desenvolvida em França em comparação com o resto da OCDE.

“Estou convencido de que a telemedicina deve ser uma ferramenta de inclusão, chegando àqueles que estão mais distantes do sistema de saúde”, disse a ministra da Saúde, Stéphanie Rist, na segunda-feira.

O ministro citou em particular “pessoas sem médico assistente ou que vivem em zonas pouco densas, pessoas dependentes ou pessoas com deficiência (…) pessoas impossibilitadas de viajar, ou mesmo reclusas”.

Para estimular a teleconsulta, os médicos poderão desviar-se num certo número de casos da regra que os proíbe de fazer mais de 20% das suas consultas à distância, indicou a Sra. Rist ao encerrar uma consulta nacional de seis meses sobre telemedicina.

Os médicos reformados, os médicos substitutos ou os portadores de deficiência poderão assim realizar mais de 20% das teleconsultas, tal como os profissionais que “vivem momentos especiais da vida”, como os jovens pais, explicou a Sra.

Segundo o ministro, as teleconsultas assistidas por outro profissional de saúde ao lado do paciente (enfermeiro por exemplo) deixarão de ser contabilizadas na cota de 20% do médico.

“A teleconsulta assistida será desenvolvida nos estabelecimentos sociais e médico-sociais, nomeadamente nos lares de idosos. Todos sabem, em particular, o gravíssimo desafio que é evitar visitas desnecessárias ao Serviço de Urgência”, declarou a Dra.

As principais plataformas de teleconsulta acolheram favoravelmente os anúncios da Sra. Rist, interpretados como um claro apoio político a uma actividade ainda emergente, que continua a despertar hostilidade por parte do mundo médico.

Tal como a Alemanha, França destaca-se pela utilização ainda relativamente baixa de teleconsultas, que representa apenas 3,3% do total de consultas, contra 13% em média na OCDE, segundo números apresentados segunda-feira pelo Seguro de Saúde.

– “Sinal forte” –

“Estas são as medidas fortes que esperávamos (…) É um sinal muito forte enviado aos desertos médicos”, disse à AFP Nathaniel Bern, cofundador da Medadom, que opera terminais de teleconsulta e cabines em farmácias e óticas.

“Há uma verdadeira consciência” entre as autoridades públicas, uma vontade de avançar” na telemedicina, regozijou-se Guillaume Auffret, diretor de relações públicas da plataforma de teleconsultas MédecinDirect.

A médica Julie Salomon, pediatra e diretora médica da plataforma de teleconsultas Qare, também acolheu favoravelmente as propostas da Sra. Rist, lamentando não ter anunciado ao mesmo tempo um aumento do valor dos atos de teleconsulta.

“No entanto, esta reavaliação será absolutamente decisiva para a atratividade da atividade” para o pessoal de saúde, insistiu.

Diagnóstico partilhado por um concorrente do Qare, que prefere manter o anonimato: “uma enfermeira ganha 12 euros se atender um paciente numa teleconsulta, e o médico ganha 25 euros: isso não chega. Na teleconsulta assistida estamos a lidar com teleconsultas longas”, explicou.

Para a Sra. Rist, a teleconsulta deve, no entanto, continuar a ser objecto de especial vigilância. Certas práticas de teleconsulta “terão de ser questionadas ou interrompidas” nos sectores óptico e auditivo, declarou.

“A telemedicina tem um papel a desempenhar” nestes setores, “desde que seja utilizada num quadro virtuoso que facilite o acesso supervisionado a oftalmologistas ou médicos otorrinolaringologistas”, indicou.

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