O governo argentino anunciou quinta-feira que pretende declarar uma “emergência de incêndio” em quatro províncias da Patagónia, onde vários incêndios devastaram dezenas de milhares de hectares desde o início do verão austral.
Desde dezembro, cerca de 45 mil hectares de florestas foram queimados por vários surtos na província de Chubut (sul). O maior, no Parque Natural Los Alerces (260 mil hectares), a 1.800 km de Buenos Aires, consumiu cerca de 20 mil hectares de vegetação, principalmente floresta nativa.
Centenas de bombeiros lutam para evitar que as chamas atinjam áreas povoadas, após uma trégua devido à chuva fraca esta semana.
“Estamos em processo de assinatura do decreto (…) que declara emergência de incêndio nas províncias de Chubut, Rio Negro, Neuquén e La Pampa”, anunciou no X Manuel Adorni, chefe de gabinete do presidente Javier Milei.
O decreto, que será publicado na sexta-feira, visa facilitar o trabalho conjunto das agências provinciais e nacionais no combate aos incêndios.
Nos últimos dias foram registadas algumas chuvas, o que “permitiu aos bombeiros trabalharem bem”, mesmo que os focos continuem ativos, disse Ignacio Cabello, vice-diretor da Agência Federal de Emergência desta província, na quinta-feira à rádio El Chubut.
Na zona estão mobilizados cerca de 450 bombeiros, apoiados por 19 meios aéreos, disse.
“Foi possível criar muitos aceiros” para evitar que os incêndios avançassem para localidades como Cholila (cerca de 3.000 habitantes) ou a localidade de Esquel (37.000 habitantes), acrescentou.
“As condições meteorológicas ajudaram um pouco a controlar parte” dos incêndios, confirmou Manuel, bombeiro voluntário, à AFP na noite de quarta-feira, numa frente de batalha perto de Cholila.
– Retorno de calor –
“Daqui a alguns dias, quando o calor voltar, (o fogo) vai começar a recomeçar, mas apenas dentro do (perímetro) queimado. É isso que estamos a tentar garantir, que o fogo não continue a alastrar”, acrescentou.
“Tenho 15 anos de serviço nos bombeiros e é a primeira vez que vejo um incêndio como este (…) Não conseguimos aguentar”, disse Manuel, que não quis revelar o apelido.
Outro surto, no setor Epuyen, consumiu mais de 22 mil hectares, mas foi 85% controlado, segundo o Serviço Provincial de Gestão de Incêndios.

Os vários incêndios estão ativos desde o início de dezembro, como o incêndio de Los Alerces causado por raios, mas foram reativados esporadicamente dependendo das condições climáticas, da temperatura e dos ventos.
Os incêndios sazonais afectaram outras províncias em graus variados.
Um alerta vermelho para risco de incêndio permaneceu em vigor até sexta-feira para a região.
Os incêndios do verão austral não causaram até agora vítimas na Patagônia argentina, ao contrário do vizinho Chile, onde os incêndios florestais causaram cerca de vinte mortes no sul do país em janeiro.
O governo argentino anunciou esta semana a liberação emergencial de envelopes no valor de US$ 87 milhões para diversas entidades voluntárias de combate a incêndios.