
Perto das Cataratas Vitória, no Zimbabué, em 2024, um leão macho foi preso e morto. Partes de seu corpo acabaram no mercado negro. Ao encontrar uma correspondência entre o perfil de ADN deste leão e o das partes do seu corpo posteriormente apreendidas, um tribunal decidiu condenar os envolvidos. Uma novidade.
Na verdade, o tráfico de partes de animais selvagens é sempre complexo de avaliar e muitas vezes baseado em provas circunstanciais. “Depois que os suspeitos foram presos e garras de leões e partes de corpos foram apreendidas, os investigadores encontraram um problema jurídico bem conhecido: a simples posse de partes de animais selvagens nem sempre constitui prova de um crime, observa em comunicado de imprensa a organização TRAFFIC, que monitora o comércio relacionado à natureza. Na ausência de provas formais que liguem estas peças a um animal morto ilegalmente, os casos são frequentemente arquivados.“.
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Uma nova técnica usada
Mas uma nova técnica tornou possível ligar as peças apreendidas ao leão morto nas Cataratas Vitória. Essa técnica, realizada aqui por cientistas do laboratório da ONG Victoria Falls Wildlife Trust, oferece a possibilidade de gerar um perfil completo de DNA a partir de partes de animais.
E, neste caso, estes últimos correspondiam perfeitamente aos dados genéticos recolhidos no cadáver do leão caçado, e que tiveram de ser cuidadosamente preservados até ao julgamento. “Esta foi a primeira vez que a análise do ADN de um leão foi utilizada numa investigação criminal para identificar a vítima de um assassinato ilegal“, observa TRÁFEGO.
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Vários meses de prisão
Assim, já não havia dúvidas: as partes apreendidas estavam de facto ligadas a este animal morto ilegalmente. A prova genética irrefutável foi apresentada em tribunal e a sua utilização foi aceite pelos procuradores. Todos os suspeitos foram condenados a 24 meses de prisão, condenação descrita como histórica pela organização TRAFFIC.
Para ela, “Este caso demonstra que os crimes contra a vida selvagem podem ser investigados com tanto rigor como os casos criminais que envolvem seres humanos, transformando a forma como a justiça é feita para espécies icónicas e ameaçadas de extinção.“.