
O “culto ao clima” enfraqueceu a economia europeia, disse esta terça-feira o secretário da Energia dos EUA, Chris Wright, em entrevista à AFP, descrevendo como “firmeza afetuosa” a forma como os Estados Unidos veem a relação com a Europa, descrita como “um forte aliado”.
“A experiência realizada ao longo dos últimos 17 anos, que pode ser corretamente descrita como um culto ao clima, apenas aumentou o preço da energia. A Europa como um todo produz agora menos energia do que há 17 anos e os preços aumentaram consideravelmente”, disse Wright, após participar numa conferência na sede do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI), em Paris.
Segundo o ministro americano, estas políticas “simplesmente externalizaram empregos para a Ásia. Reduziram as oportunidades económicas para os europeus. Tornaram mais difícil o pagamento das suas contas e tornaram a Europa muito dependente da Rússia”.
Desde o regresso de Donald Trump à Casa Branca em 2025, os Estados Unidos iniciaram um vigoroso retrocesso em termos de políticas climáticas.
O presidente norte-americano anunciou quinta-feira que iria revogar um texto adotado no governo de Barack Obama em 2009 e que serve de base ao combate às emissões de gases com efeito de estufa nos Estados Unidos, depois de ter anunciado em janeiro a retirada de um tratado de referência sobre o clima.
Donald Trump também se retirou do Acordo Climático de Paris assim que chegou ao poder, pela segunda vez depois de já o ter feito durante o seu primeiro mandato.
“O verdadeiro impacto (das alterações climáticas) é que o mundo está um pouco mais quente, um pouco mais verde, um pouco mais húmido”, disse também Chris Wright na terça-feira, acrescentando que as políticas pró-clima “nem sequer têm impacto sobre isso”.
O Acordo de Paris, adotado em 2015, visa limitar o aquecimento “bem abaixo” de 2°C, e os anos de 2023, 2024 e 2025 foram os mais quentes já registados, segundo o Instituto Europeu Copernicus.
– Groenlândia –
Sobre a relação entre os Estados Unidos e a Europa, sujeita a fortes ventos contrários desde que Donald Trump disse querer adquirir a Gronelândia, Chris Wright falou da “afetuosa firmeza” imposta por Washington.
“Os Estados Unidos são um forte aliado da União Europeia. Na verdade, toda a firmeza amorosa dos Estados Unidos visa encorajar a Europa a ter um exército mais forte, um sistema energético mais forte, uma economia mais forte”, detalhou.
“Nunca houve qualquer possibilidade de os Estados Unidos invadirem a Gronelândia”, tentou também tranquilizar o ministro, enquanto a primeira-ministra dinamarquesa, Mette Frederiksen, afirmou no sábado que Donald Trump “ainda quer” tomar a Gronelândia, um território autónomo dinamarquês.
– Produção de petróleo na Venezuela –
Questionado sobre o petróleo na Venezuela, o ministro, que visitou Caracas nos últimos dias, insistiu que “o objetivo é aumentar consideravelmente a produção petrolífera”, que segundo ele já rendeu mil milhões de dólares desde a detenção do Presidente venezuelano Nicolás Maduro.
“Todo o dinheiro volta para Caracas”, disse também, detalhando o circuito de financiamento que passa pelas contas do Tesouro dos EUA. “Todos os canais de corrupção que desviaram o petróleo venezuelano também estão sendo eliminados”, disse Wright.
– A AIE em análise –
Presente terça-feira em Paris por ocasião de uma conferência ministerial da Agência Internacional de Energia (AIE) na quarta e quinta-feira, Chris Wright voltou também ao funcionamento desta subsidiária da OCDE criada em 1974, da qual ameaçou retirar-se em julho, por não poder reformá-la, nomeadamente no que diz respeito à proteção climática.
“Os primeiros passos foram dados, mas ainda há muito a fazer. Grande parte do trabalho da AIE está centrado nas alterações climáticas e no zero líquido + coisa + do Acordo de Paris”, disse, referindo-se à modelização por parte da instituição do caminho a seguir para alcançar em 2050 a neutralidade carbónica necessária para abrandar o aquecimento.