DEm um fórum recente, [l’économiste] Gabriel Zucman afirma que “a ideia da esclerose europeia não se baseia em muita coisa”. Baseia esta convicção na observação de que, desde 1990, o crescimento do PIB per capita tem sido apenas ligeiramente mais lento na União Europeia (UE), ou seja, em todos os seus actuais membros, do que nos Estados Unidos, o líder das economias avançadas. Mais precisamente, o crescimento anual foi de 1,6% entre estes últimos, em comparação com pouco menos de 1,5% na Europa.

Nestas condições, deveríamos preocupar-nos com o relativo abrandamento da economia europeia? Em termos de nível, há trinta anos, o rendimento per capita do outro lado do Atlântico era 25% superior, um valor ligeiramente superior hoje. Além disso, quando olhamos de perto, esta disparidade dever-se-ia mais a diferenças nos horários de trabalho e nas taxas de emprego, portanto a uma maior preferência pelo lazer, do que a uma disparidade real de produtividade, embora esta última observação se aplique mais à Europa Ocidental do que a toda a região. Mas, apesar de tudo, nem tudo seria tão ruim!

No entanto, surge uma conclusão mais preocupante quando já não consideramos a União Europeia como um todo, mas sim os países que a compõem. Surge então uma forte dicotomia entre, por um lado, os membros mais antigos da União, concentrados na sua parte ocidental, e, por outro lado, os seus membros mais recentes, nomeadamente os países da Europa Central e Oriental, os países bálticos, Chipre e Malta. Acontece que foram estes últimos que permitiram que o crescimento europeu quase igualasse o do outro lado do Atlântico. Os desempenhos dos outros membros, e em particular dos seis membros fundadores, são muito menos satisfatórios. A nível interno, a divergência em relação aos Estados Unidos é impressionante pela sua consistência. A uma taxa de meio ponto de crescimento por ano, o atraso acumulado nas últimas três décadas é da ordem de 20%. No total, a diferença no rendimento per capita dos países europeus mais ricos em comparação com os Estados Unidos era de 10% em 1990 e é de 25% hoje. Aquilo que podemos chamar de coração da Europa está a ficar mais pobre ano após ano em comparação com a economia americana.

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