DDonald Trump está coberto pelo FBI? A questão tornou-se inevitável desde que se soube que documentos da Polícia Federal que mencionam o presidente norte-americano nos ficheiros de Epstein, incluindo relatos ligados a uma acusação de agressão sexual, não foram tornados públicos. O Departamento de Justiça diz que vai “reexaminar” essas omissões. Mas quando este aparelho é supervisionado pelo próprio presidente, uma “revisão” parece menos um esclarecimento e mais uma gestão política.
O contraste com a Europa no tratamento das revelações do dossiê Epstein é impressionante. No Reino Unido, a Polícia do Vale do Tâmisa prendeu o ex-príncipe Andrew, e a Polícia Metropolitana prendeu Peter Mandelson, sem intervenção do executivo na decisão de investigar. Em França, a busca do Instituto do Mundo Árabe, no âmbito do caso Jack Lang, ocorreu no âmbito de uma investigação preliminar do Ministério Público Financeiro Nacional, sob a autoridade de um magistrado. Também na Noruega foram instaurados processos contra figuras de destaque, incluindo o antigo primeiro-ministro Thorbjorn Jagland, que está indiciado por corrupção agravada. Nestes países, a polícia e os procuradores têm autonomia institucional suficiente para investigar figuras poderosas sem dependerem directamente do poder em vigor.
Nos Estados Unidos, o FBI reporta-se ao Departamento de Justiça (DOJ), ele próprio parte do poder executivo. Pam Bondi, ex-procuradora-geral da Flórida próxima de Trump, e Todd Blanche, seu ex-advogado, estão agora no comando. O FBI é colocado sob a autoridade de Kash Patel, um alegado aliado político do presidente. Estas são escolhas assumidas.
Após o escândalo Watergate em 1974, que revelou abusos como a utilização do DOJ pelo presidente Richard Nixon para atingir os seus adversários, uma série de reformas e normas rigorosas foram instituídas: uma proibição da Casa Branca ordenar a abertura ou encerramento de ficheiros específicos, limitação de contactos diretos entre o presidente e o Departamento de Justiça, um mandato protegido de dez anos para o diretor do FBI, utilização de um procurador especial para ficheiros sensíveis, uma cultura afirmada de neutralidade política.
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