O barco solar do rei Khufu, apresentado como “o maior e mais antigo artefacto de madeira da história da humanidade”, foi transferido na terça-feira para o Grande Museu Egípcio (GEM), onde será realizado o seu restauro para que todos possam ver durante os próximos quatro anos.
No hall do seu pavilhão dedicado, um edifício de cerca de 4.000 m² especialmente concebido para o abrigar, os restauradores egípcios instalaram a primeira das 1.650 tábuas de madeira que irão recompor o barco funerário real.
Este museu anexo também exibe outro barco solar do mesmo período, encontrado em 1987.
Os dois barcos são considerados “os mais antigos barcos arqueológicos conhecidos e o maior vestígio orgânico descoberto na história da humanidade”, segundo Issa Zidan, diretora geral de restauros do GEM.
“Hoje assistimos a um dos projetos de restauração mais importantes do século XXI”, resumiu o ministro do Turismo, Sherif Fathi. “Este é um projeto importante para o museu, para a história e para a humanidade”, acrescentou.

O programa é financiado pela Agência de Cooperação Internacional do Japão (Jica), que atribuiu uma subvenção de 3,5 milhões de dólares (cerca de 3 milhões de euros), além do envio de especialistas japoneses ao lado das equipas egípcias.
Construído há cerca de 4.600 anos, durante o reinado do rei Khufu, construtor da Grande Pirâmide, o barco de madeira de cedro e acácia, com aproximadamente 43,5 metros de comprimento, foi descoberto em 1954 em Gizé. As escavações só começaram em 2011.
Zidan disse à AFP que as tábuas de madeira “tinham sofrido degradação térmica e estavam num estado muito frágil, razão pela qual as missões arqueológicas hesitaram em realizar este projeto”.
Os arqueólogos trataram as tábuas do barco e os seus remos de madeira com “materiais orgânicos de renome mundial”, segundo Zidan, “tais como nanocelulose e hidroxipropilcelulose”.

Desde a sua inauguração, em novembro, “o museu recebe em média 15 mil visitantes por dia”, disse o diretor à AFP, especificando que em determinados dias o atendimento chegou a 27 mil visitantes.
Segundo o Ministro do Turismo, o Egipto espera um aumento de cerca de 7% no número de turistas em 2026, face a cerca de 19 milhões em 2025.
O Cairo espera reanimar o turismo – prejudicado pelas crises políticas e pela pandemia –, um pilar económico que representa 9% do PIB e que emprega quase dois milhões de pessoas.