A Nvidia anunciou na segunda-feira chips projetados especificamente para equipar data centers em órbita, um sinal de seu desejo de não descartar qualquer possibilidade de crescimento, mesmo que essas plataformas não sejam esperadas no espaço por vários anos.
Nos últimos meses, multiplicaram-se anúncios e declarações de intenções em torno destes “data centers” de nova geração, que assumiriam a forma de constelações de satélites em órbita baixa.
No início de novembro, a start-up Starcloud enviou um satélite equipado com um chip H100 da Nvidia (com capacidades inferiores aos seus produtos mais recentes), no qual conseguiu desenvolver e depois utilizar, a partir da Terra, um modelo de inteligência artificial (IA).
A Nvidia está agora finalizando uma versão específica para o espaço, cujos primeiros contornos foram revelados na segunda-feira e chamada Space-1. Esta é uma combinação de seus dois novos processadores, Vera, uma CPU (geralmente atribuída a uma tarefa), e Rubin, uma GPU (capaz de lidar com vários trabalhos em paralelo).
A data em que este dispositivo estará disponível não foi especificada.
“Os cálculos informáticos no espaço, a última fronteira, estão a chegar”, declarou o chefe da Nvidia, Jensen Huang, citado num comunicado de imprensa, por ocasião da grande conferência anual do grupo, o GTC.
Para o gestor, não se trata apenas de atender às necessidades computacionais que foram multiplicadas pelo uso da IA generativa na Terra, mas também de apoiar a conquista do espaço.

Mencionou nomeadamente o desenvolvimento, graças a processadores eficientes no espaço, de novas naves espaciais capazes de se orientarem graças à IA.
“Juntamente com nossos parceiros”, disse Jensen Huang entusiasmado, “estamos levando a Nvidia além do nosso planeta”.
Além da Starcloud, a Nvidia está colaborando com as jovens empresas Aetherflux, Axiom Space, Kepler Communications, Planet Labs PBC e Sophia Space.
Porém, muitos especialistas ainda se questionam sobre a resistência dos processadores em órbita, com temperaturas extremas e altos níveis de radiação.
Mas o conceito tem, no papel, muitas vantagens.
Oferece acesso ilimitado à energia solar e ausência de constrangimentos associados à construção de um data center em terreno, nomeadamente à aquisição de terrenos e aos cuidados a ter com as populações.
Google, SpaceX e Blue Origin entraram na corrida.
Os mais otimistas esperam que os data centers estejam operacionais antes do final da década, com o CEO da Blue Origin, Dave Limp, citando um horizonte temporal de cinco a dez anos.