TEMQuando o mundo descobre com espanto a extensão do caso Epstein, é uma realidade que vale a pena recordar: a exploração de mulheres e raparigas nas elites é um fenómeno comum e até sistemático. Se a violência sexual não poupa nenhuma classe social, os homens no poder são particulares na medida em que utilizam as mulheres acima de tudo para mostrar o seu poder: tornam-se um acessório no teatro social onde afirmam a sua dominação.
Jeffrey Epstein usou seus assistentes, suas conexões no mundo da moda e suas próprias vítimas para garantir um fornecimento constante de novas jovens. Muito além de Epstein, em círculos elitistas e dominados por homens, as raparigas são fornecidas por “promotores”: homens pagos para levar mulheres jovens e bonitas a festas organizadas por clubes ou VIPs. A sua circulação não está marcada e é perfeitamente visível, mesmo em locais como o Fórum Económico Mundial em Davos. [Suisse]. O oligarca russo Oleg Deripaska, por exemplo, organizou recepções luxuosas nas quais recrutou modelos para servir bebidas e traduzir.
Para meu último livro [Very Important People. Argent, gloire et beauté : enquête au cœur de la jet-set, La Découverte, 2023]passei dezoito meses investigando essa economia em clubes exclusivos e festas do jet set, de Nova York aos Hamptons [Etat de New York]via Miami e Saint-Tropez [Var]. Eu já conhecia bem esse ambiente. Tendo sido modelo, fui convidada por promotores para este tipo de festas, em Milão, aos 19 anos. Mais tarde, na minha carreira de socióloga, tirei os sapatos de salto alto para voltar a sentar-me nas mesas VIP. Queria dissecar os mecanismos desta economia do dinheiro e da beleza. Entenda quem beneficia e quem explora.
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