Uma gaivota passeia pacificamente no recinto de pinguins do zoológico de Paris. Um perigo potencial para os residentes, que são vacinados todos os anos contra a gripe aviária para se protegerem.
Nesta manhã fria de dezembro, início do pico sazonal da circulação do vírus em França, os 41 pinguins de Humboldt do parque estavam reunidos num edifício adjacente à sua piscina.
Bem aconchegado nos braços de seu cuidador que lhe dá palavras tranquilizadoras, Cissou logo termina. Depois de receber sua dose, ele volta para seu recinto.
Cerca de dez pessoas estão ocupadas em torno de seus companheiros de libré preta e branca: pesando, medindo, tirando penas, tirando sangue, examinando os pés, verificando se há pulgas e anéis…
Em um mês, os pinguins jovens nascidos durante o ano receberão a dose de reforço. E todas as aves vacinadas farão um novo exame de sangue para verificar os níveis de anticorpos.

Na semana passada, as autoridades sanitárias alertaram que a época já se apresentava “desfavorável”, com um pico excepcional entre os animais selvagens.
Se nunca tivesse registado um caso, a contaminação seria catastrófica para o jardim zoológico, localizado no Bois de Vincennes, onde encontramos gansos-cracas, periquitos-de-pescoço-anelado, corvos, pegas e pardais.
– Avaliação benefício-risco –

“Os animais dos zoológicos têm grande valor de conservação. São animais que geralmente estão ameaçados em seu ambiente natural”, lembra à AFP a veterinária Sylvie Laidebeure, inserindo uma seringa na quilha (peito) do pinguim patagônico, espécie classificada como “vulnerável” pela IUCN (União Internacional para a Conservação da Natureza).
Para reduzir o risco, os jardins zoológicos franceses são obrigados a implementar um plano de combate à gripe aviária.
“Avaliamos o risco-benefício da vacinação” para cada espécie, explica a Sra. Laidebeure, responsável pelo bem-estar animal no zoológico. “Qual o risco do animal pegar a doença? Qual a gravidade dessa doença? É interessante comparado ao risco que o procedimento de vacinação pode representar?”
Pode haver “convulsões, infecções no local da injeção, reações inflamatórias” e “a contenção também é extremamente estressante para as aves”, explica ela.
– Vinte anos de retrospectiva –

Em Paris, apenas são vacinadas espécies que vivem ao ar livre ou em aviários com malha suficientemente grande para permitir o contacto com aves selvagens: calaus, abutres, emas, avestruzes, marabus e grous.
Para quem vive no grande aviário ou na estufa tropical, “consideramos que os riscos são menores e que as medidas de biossegurança implementadas são suficientes”, continua o veterinário. Na entrada dos recintos são instalados pedilúvios, a higiene dos comedouros é particularmente monitorizada para evitar a contaminação dos alimentos por aves selvagens.
Ainda minoritária nos jardins zoológicos europeus, esta vacinação é praticada em parques franceses desde 2006.
Muito antes das explorações agrícolas francesas, onde a vacina – a mesma para todas as espécies utilizadas com dosagem adaptada – só foi autorizada em 2023.
Estes vinte anos de feedback deram origem a publicações científicas sobre os resultados da vacinação “após o trabalho conjunto dos jardins zoológicos franceses”, sublinha a Sra.
“Conhecemos os limites da vacina para certas espécies. Sabemos que funciona muito bem em algumas e que dá taxas um pouco mais baixas ou um pouco menos sustentáveis ao longo do tempo para outras”, explica.
“O que é importante é a segurança. A vacina é segura e eficaz em todas as espécies. Penso que ajudou a tranquilizar”, antes da sua utilização em patos de criação, acredita ela.