Este artigo foi retirado da revista mensal Sciences et Avenir n°945, de novembro de 2025.
Podemos compreender melhor o mundo ouvindo-o: esta é a lição da impressionante investigação realizada por Laurence Paoli sobre os estragos da poluição sonora que atinge as profundezas subaquáticas. O autor assume, com uma pitada de humor, o desenrolar em primeira pessoa de uma investigação inédita, vasta e árdua.
Ele lança as bases detalhando os princípios da física do som, com sua procissão de hertz e decibéis, e a descoberta revolucionária na década de 1940 de um canal horizontal virtual – chamado Sofar, para fixação e alcance do som – graças ao qual “as baleias ouvem umas às outras através dos oceanos”pois permite a transmissão de ondas acústicas ao longo de milhares de quilômetros.
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A ascensão da bioacústica
Sua história remonta a consciência dos efeitos nocivos do ruído produzido pelo homem e da importância da audição para o ciclo de vida dos animais marinhos, aos dados obtidos pelos sonares do exército americano, por volta de 1946. A partir desta data, através da análise de uma coorte de especialistas, a fascinante história que leva desde os primórdios da escuta dos vivos – o canto modulado das baleias, o grito do pinguim imperador, os cliques acorrentados dos cachalotes – até a ascensão do bioacústica.
Sem esquecer a observação implacável das relações de causa e efeito, por exemplo, entre a prospecção sísmica com vista à exploração petrolífera e os encalhes em massa de cetáceos. E tomamos consciência, na última parte do livro, da incrível complexidade da constituição de redes multidisciplinares de acção colectiva para a protecção da vida subaquática!

A Canção Perdida das Baleias. Quando a poluição sonora abafa as vozes do oceanoLaurence Paoli, Actes Sud, 352 p., € 23,50