Com os rostos escondidos sob capuzes, cerca de uma centena de ativistas indígenas ocuparam, na madrugada de 21 de fevereiro, um terminal da multinacional americana Cargill, de onde saem 70% dos cereais do porto de Santarém, no norte da Amazônia brasileira. Já faz um mês que mais de mil pessoas de quatorze povos indígenas protestaram em frente ao porto contra a exploração privada de 3.000 quilômetros de rios amazônicos, autorizada em 28 de agosto de 2025 por decreto presidencial. Cansados de serem ignorados, decidiram endurecer a sua acção para que os seus receios sobre o impacto da medida na pesca e nos transportes para as comunidades locais pudessem finalmente ser ouvidos.
A pressão deu resultado: no processo, o governo convocou uma reunião com representantes da mobilização, levando à revogação do decreto. “Este governo está empenhado em ouvir o povo, ouvir os trabalhadores, ouvir os povos indígenas”, declarou Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência, ao anunciar a retirada da medida no dia 23 de fevereiro. “É um governo que até pressiona a escuta a ponto de reconsiderar as próprias decisões”, ele acrescentou.
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