Comemoração da revogação do Decreto 12.600 pelo governo brasileiro, em frente ao terminal da Cargill em Santarém, Brasil, 23 de fevereiro de 2026.

Com os rostos escondidos sob capuzes, cerca de uma centena de ativistas indígenas ocuparam, na madrugada de 21 de fevereiro, um terminal da multinacional americana Cargill, de onde saem 70% dos cereais do porto de Santarém, no norte da Amazônia brasileira. Já faz um mês que mais de mil pessoas de quatorze povos indígenas protestaram em frente ao porto contra a exploração privada de 3.000 quilômetros de rios amazônicos, autorizada em 28 de agosto de 2025 por decreto presidencial. Cansados ​​de serem ignorados, decidiram endurecer a sua acção para que os seus receios sobre o impacto da medida na pesca e nos transportes para as comunidades locais pudessem finalmente ser ouvidos.

A pressão deu resultado: no processo, o governo convocou uma reunião com representantes da mobilização, levando à revogação do decreto. “Este governo está empenhado em ouvir o povo, ouvir os trabalhadores, ouvir os povos indígenas”, declarou Guilherme Boulos, secretário-geral da Presidência, ao anunciar a retirada da medida no dia 23 de fevereiro. “É um governo que até pressiona a escuta a ponto de reconsiderar as próprias decisões”, ele acrescentou.

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