Jair Bolsonaro ao receber alta do hospital DF Star, em Brasília, 14 de setembro de 2025.

A defesa de Jair Bolsonaro apresentou, segunda-feira, 27 de outubro, um recurso contra a condenação do ex-presidente brasileiro a 27 anos de prisão por tentativa de golpe de Estado, visando manter-se no poder apesar da derrota eleitoral em 2022.

O líder de extrema direita, de 70 anos, foi condenado em 11 de setembro, após um julgamento histórico perante o Supremo Tribunal do Brasil. Os magistrados o consideraram culpado de ter sido o chefe de uma “organização criminosa” tendo conspirado para garantir a sua “manutenção autoritária do poder” seja qual for o resultado da eleição de outubro de 2022, em que foi derrotado no segundo turno por Luiz Inácio Lula da Silva.

Após a condenação, os advogados do ex-presidente anunciaram que iriam recorrer “inclusive a nível internacional”. Segundo o documento apresentado pela defesa do ex-presidente a que a Agência France-Presse (AFP) teve acesso, Jair Bolsonaro deseja corrigir “ambiguidades, omissões, contradições e obscuridades” na decisão do Supremo Tribunal. Os juízes do Supremo Tribunal não têm um prazo específico para decidir sobre este recurso, mas Bolsonaro só poderá ser preso depois de esgotados todos os recursos possíveis.

Embora seja raro que o Supremo Tribunal concorde em alterar uma das suas decisões sobre o mérito após um recurso, “já aconteceu que neste tribunal haja modificações, nomeadamente no cálculo da pena”explicou à AFP Thiago Bottino, professor de direito da Fundação Getulio Vargas.

O ex-presidente (de 2019 a 2022) continua em prisão domiciliar por enquanto. Em agosto, o juiz Alexandre de Moraes, responsável pelo julgamento, tomou esta medida drástica argumentando que Bolsonaro não respeitou uma decisão judicial que o proibia de se expressar nas redes sociais.

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Problemas de saúde e apoio político em ruínas

Em meados de setembro, Bolsonaro foi diagnosticado com câncer de pele e também sofre as sequelas de uma facada no abdômen em 2018. Devido a seus problemas de saúde, ele poderia pedir para cumprir a pena em casa, como outro ex-presidente, Fernando Collor de Mello (1989-1992). Este último obteve, em maio passado, o direito a cumprir pena superior a oito anos de prisão domiciliar por corrupção.

O campo bolsonarista pressiona pela aprovação no Parlamento de um projeto de anistia que beneficiaria o ex-presidente e centenas de seus apoiadores que participaram dos ataques contra os lugares de poder em Brasília em 8 de janeiro de 2023. Uma iniciativa que perdeu força após manifestações massivas em todo o Brasil.

O julgamento de Bolsonaro está na origem de uma crise diplomática e comercial sem precedentes entre o Brasil e os Estados Unidos. O presidente americano, Donald Trump, impôs assim uma sobretaxa alfandegária punitiva de 50% sobre certos produtos brasileiros, citando uma suposta “caça às bruxas” contra seu aliado de extrema direita.

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As tensões diminuíram quando os presidentes dos dois países se reuniram na Malásia no domingo. Ao final da entrevista, Lula disse para si mesmo “convencido” que os dois países encontrarão uma “solução final” às suas diferenças. Por sua vez, o Sr. Trump declarou “Deveríamos ser capazes de encontrar bons acordos para os nossos dois países.”

O mundo com AFP

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