Agentes da Polícia Federal entram no Banco de Brasília (BRB), durante operação contra emissão de títulos de crédito fraudulentos por instituições financeiras que resultou na prisão de Daniel Vorcaro, em Brasília, em 18 de novembro de 2025.

O jornal O Globo compara o escândalo a uma novela, aqueles seriados dramáticos que abrangem centenas de episódios. Há mais de dois meses que a descoberta de uma fraude gigantesca de 12 mil milhões de reais (quase 2 mil milhões de euros) atribuída ao banco Master, um pequeno estabelecimento privado, continua a ser manchete nos meios de comunicação social brasileiros. Uma sucessão de revelações mostra como o proprietário, o empresário Daniel Vorcaro, preso em 18 de novembro de 2025 pela Polícia Federal, teria aproveitado seus múltiplos relacionamentos nos mais altos escalões do poder para realizar suas operações e ocultá-las.

Destaques de fraude “um nível muito elevado e estrutural de corrupção política que mostra como os atores do mercado financeiro conseguem encontrar apoio e proteção em altos cargos”analisa Timothée Narring, pesquisador do Development Research Institute, para quem o escândalo também revela “as falhas na regulação do sistema financeiro no Brasil”.

O crescimento vertiginoso do banco após a sua aquisição por Daniel Vorcaro em 2018 deveria ter alertado as autoridades financeiras. No espaço de seis anos, o estabelecimento conseguiu atrair mais de 1,6 milhões de clientes, incluindo 18 fundos de pensões públicos, recorrendo a práticas suspeitas. “A Master tinha uma estratégia agressiva de expansão que exigia ativos muito arriscados e altamente lucrativos, mas que colocava em risco a sua liquidez”explica Luiz Fernando de Paula, economista da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Confrontado com dificuldades em reembolsar os investidores, o banco alegadamente falsificou o seu balanço para ocultar a sua capacidade de honrar os seus compromissos.

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