
A NASA anunciou em 24 de março de 2026 que suspenderia o projeto de construção de uma estação espacial ao redor da Lua chamada Gateway para concentrar seus esforços na criação de uma base no solo lunar, para a qual foram prometidos 20 bilhões de dólares.
“Estamos suspendendo o Projeto Gateway na sua forma atual e nos concentrando no estabelecimento de infraestrutura para garantir uma presença sustentável na superfície da Lua“, indicou o novo chefe da agência espacial americana, Jared Isaacman, em Washington.
Esta decisão deverá permitir redireccionar esforços e recursos para a construção da base perto do pólo sul lunar já prevista, explicou. A área é estratégica pela presença de água em forma de gelo em seus solos. “A base lunar não verá a luz do dia. Investiremos aproximadamente US$ 20 bilhões nos próximos sete anos e construiremos isso ao longo de dezenas de missões, trabalhando com parceiros comerciais e internacionais.“, acrescentou.
O programa Artemis da NASA planeia enviar astronautas de volta à Lua e estabelecer lá uma presença humana duradoura, com vista a preparar futuras missões a Marte. Mas face aos múltiplos atrasos e explosões de custos que tem registado e face à pressão da China, que também pretende enviar homens e estabelecer uma base na superfície lunar nos próximos anos, a NASA procura hoje simplificar e acelerar este programa. No final de fevereiro, anunciou as primeiras mudanças significativas destinadas a acelerar o ritmo e recuperar o atraso.
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De 2029
Neste contexto, esperava-se a suspensão da ambiciosa estação Gateway, tendo este projeto sido descrito como um desperdício financeiro em comparação com outras ambições lunares. Esta estação orbital seria usada para projetos de exploração lunar, mas também para pesquisas científicas, e foi projetada como ponto de partida para futuras missões a Marte. “Embora isto continue a ser relevante para futuros objectivos de exploração, não é essencial para atingir os nossos objectivos principais.“, sublinhou terça-feira Carlos Garcia-Galan, vice-diretor do programa Gateway da NASA.
Surge agora a questão de saber o que acontecerá aos componentes ou módulos do Gateway já construídos ou em desenvolvimento, alguns dos quais são fornecidos por parceiros internacionais, incluindo as agências espaciais europeia (ESA) e japonesa (JAXA).
“Apesar das dificuldades encontradas com certos equipamentos existentes, a (NASA) reutilizará equipamentos utilizáveis e contará com os compromissos dos parceiros internacionais para apoiar“Os outros objetivos da Artemis, incluindo o estabelecimento de um acampamento base, garantiu terça-feira o chefe da NASA. Solicitada pela AFP, a ESA indicou que estava liderando”atualmente em consultas estreitas com os seus Estados-Membros, parceiros internacionais e a indústria europeia para avaliar as implicações deste anúncio“.
A base lunar na qual a NASA está a concentrar os seus esforços deverá começar a ser construída a partir de 2029 e ser ocupada de forma semipermanente a partir de 2032, disse a agência espacial norte-americana. Planeja enviar os primeiros astronautas à superfície lunar em 2028, um passo que dependerá muito do sucesso da missão Artemis 2, que deve decolar da Flórida não antes de 1º de abril.
Esta missão será a primeira a transportar humanos ao redor da Lua desde o fim do programa Apollo, há mais de meio século.