A NASA anunciou terça-feira que suspenderia o projeto de construção de uma estação espacial ao redor da Lua chamada Gateway para concentrar seus esforços na criação de uma base terrestre, para a qual foram prometidos 20 bilhões de dólares.
“Estamos suspendendo o projeto Gateway na sua forma atual e concentrando-nos no estabelecimento de uma infraestrutura para garantir uma presença duradoura na superfície da Lua”, disse o novo chefe da agência espacial americana, Jared Isaacman, em Washington.
Esta suspensão deverá permitir redireccionar esforços e recursos para a construção da base próxima do pólo sul lunar já prevista, explicou. Esta área é estratégica devido à presença de água em forma de gelo em seus solos.
“A base lunar não verá a luz do dia. Vamos investir cerca de 20 mil milhões de dólares nos próximos sete anos e construí-la ao longo de dezenas de missões, em colaboração com parceiros comerciais e internacionais”, acrescentou.
O programa Artemis da NASA planeia devolver astronautas e estabelecer uma presença humana duradoura na Lua, com vista à preparação para futuras missões a Marte.
Mas face aos múltiplos atrasos e explosões de custos que tem registado e face à pressão exercida pela China, que também pretende enviar homens e estabelecer uma base na superfície lunar nos próximos anos, a NASA procura agora simplificar e acelerar o seu projecto.
No final de fevereiro, anunciou as primeiras mudanças significativas destinadas a acelerar o ritmo e compensar esse atraso.
– A partir de 2029 –
Neste contexto, esperava-se a suspensão da ambiciosa estação Gateway, tendo este projeto sido descrito como um desperdício financeiro em comparação com outras ambições lunares.
Esta estação orbital seria usada para projetos de exploração lunar, mas também para pesquisas científicas, e foi projetada como ponto de partida para futuras missões a Marte.

“Embora isto continue a ser relevante para futuros objetivos de exploração, não é essencial para atingir os nossos objetivos principais”, disse Carlos Garcia-Galan, vice-diretor do programa Gateway da NASA, na terça-feira.
Coloca-se, no entanto, a questão do que acontecerá aos componentes ou módulos do Gateway já construídos ou em desenvolvimento, alguns dos quais são fornecidos por parceiros internacionais, incluindo as agências espaciais europeia (ESA) e japonesa (JAXA).
“Apesar das dificuldades encontradas com certos equipamentos existentes, (NASA) reutilizará os equipamentos utilizáveis e contará com os compromissos dos parceiros internacionais para apoiar” os outros objetivos da Artemis, incluindo o estabelecimento de um acampamento base, garantiu terça-feira o chefe da NASA.
Essa base na superfície lunar deve começar a ser construída a partir de 2029 e ser ocupada de forma semipermanente a partir de 2032, segundo a NASA.
A agência espacial norte-americana prevê enviar os primeiros astronautas à superfície lunar em 2028, passo que dependerá em grande parte do sucesso da missão Artemis 2, que se prepara para lançar.
Esta missão, programada para decolar da Flórida não antes de 1º de abril, será a primeira a transportar humanos ao redor da Lua desde o fim do programa Apollo, há mais de meio século.