
A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, revelou nesta segunda-feira os nomes das 72 mulheres cientistas selecionadas para integrar o friso de 72 cientistas do sexo masculino que Gustave Eiffel gravou no primeiro andar da Dama de Ferro, há mais de 130 anos.
A lista abrange quase 250 anos de história, desde Angélique du Coudray, uma obstetra do século XVIII, até cientistas recentemente falecidos, explica Isabelle Vauglin, presidente da associação Femmes & Sciences encarregada por Anne Hidalgo de recolher os nomes.
Estes nomes devem ser submetidos às academias de ciências, tecnologias e medicina para “parecer”, antes da validação final para iniciar os trabalhos, detalha a Câmara Municipal em comunicado de imprensa.
A vereadora socialista não fixou uma data para este projeto “consensual” que “não imagina que seja interrompido em caso de mudança de maioria” após as eleições autárquicas de março, disse a Câmara Municipal à AFP.
A homenagem visa remediar o “efeito Matilda”, nomeadamente a minimização sistemática da contribuição das mulheres para a investigação científica, enquanto os campos da ciência, matemática e engenharia permanecem abandonados pelas jovens raparigas.
Quando o monumento foi construído em 1889, o engenheiro Gustave Eiffel quis torná-lo um “panteão das ciências” inscrevendo, no grande friso do primeiro andar, os nomes de 72 dos maiores cientistas franceses que marcaram a história desde a Revolução.
Entre eles: os químicos Lavoisier e Chaptal, os astrônomos Arago e Laplace, o naturalista Cuvier, o inventor da fotografia Daguerre… e sem nome feminino. Porém, na época já era conhecido o trabalho de mulheres cientistas, como o da matemática Sophie Germain.
Pintados em letras douradas de 60 centímetros de altura, estes nomes desapareceram da Torre Eiffel durante várias décadas durante uma campanha de pintura, apenas para serem novamente inscritos em relevo em 1989. Eles “permanecem hoje como uma homenagem atemporal, mas incompleta, ao conhecimento e ao gênio francês”, sublinha Jean-François Martins, presidente da Empresa Operadora da Torre Eiffel (Sete).
“É hora de este monumento, tão simbólico, abraçar a causa da igualdade entre mulheres e homens e devolver às mulheres o seu lugar de direito neste monumento à glória da ciência e dos cientistas”, disse Anne Hidalgo.
Com exceção de algumas cientistas famosas como as físicas Marie Curie e Irène Joliot-Curie, a bióloga e exploradora Jeanne Barret ou a bióloga molecular Rosalind Franklin, a maioria das mulheres escolhidas, principalmente francesas, são pouco conhecidas do grande público.
Os seus nomes seriam gravados “nas mesmas condições dos seus congéneres masculinos: no primeiro andar, em letras douradas, com exactamente a mesma tipografia”, detalha a Câmara Municipal.