CARTA DE GENEBRA
Entre os rituais suíços, há um que pode surpreendê-lo. Todo fim de semana, nas estações do país, você encontra homens em trajes camuflados, boinas verdes ou vermelhas aparafusadas na cabeça, rifles de assalto SIG-550 pendurados nos ombros. Na Confederação Suíça, onde o serviço militar obrigatório não foi abolido após o fim da Guerra Fria, como aconteceu em muitos estados europeus, os rodízios de tropas em licença semanal pontuam a vida do país e fazem parte da paisagem. Esta rotina de escolas de recrutamento e cursos de ensaio (três semanas por ano, durante dez anos após o envolvimento inicial), considerada uma espécie de folclore, oferece a vantagem de misturar jovens francófonos, germanófonos e italianos, mantendo assim um sentimento de coesão nacional.
Segunda-feira, 12 de janeiro, 12.500 recrutas da faixa etária 2006-2007 começaram seu treinamento sob a bandeira vermelha com uma cruz branca. O clima de nova desordem geopolítica global não escapou aos oficiais que os treinam. “Eles nos disseram: ‘Vocês podem ser a primeira geração neste país a prestar serviço militar e que terá que lutar de verdade no terreno’”confidencia, um pouco surpreso, Victor, um jovem de 19 anos de Genebra. A última guerra travada pela Suíça no estrangeiro remonta à campanha Franche-Comté em 1815. Esta operação, oficialmente levada a cabo em resposta ao bombardeamento de Basileia pelas forças francesas, constitui a última acção militar suíça no estrangeiro. Desde então, a Confederação aderiu à sua neutralidade, reconhecida no Congresso de Viena em 1815, e não participou mais em nenhum conflito.
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