Subindo num monte de neve, Najannguaq Hegelund agarra o megafone, seguindo o chefe do governo, Jens-Frederik Nielsen, e grita, primeiro em groenlandês, depois em inglês. “Naammaleqaaq [“trop, c’est trop”] ! Quando Washington fala em “tomar” a Groenlândia, nós lhes dizemos: “Nunca!” Não seremos colonizados uma segunda vez (…). Conhecemos as tempestades, mais do que qualquer outro povo. E sabemos que assim que a tempestade passar ainda estaremos aqui, unidos. »

A seus pés, no dia 17 de janeiro, a multidão reunida em Nuuk, capital da ilha cobiçada por Donald Trump, gritava: “Kalaallit Nunaat kalaallit pigaat [“le Groenland appartient aux Groenlandais”] ! » Em frente, do outro lado da pequena rua gelada, a casa vermelha que abriga o consulado americano parece deserta. Nenhuma luz brilha lá dentro.

Najannguaq Hegelund conhece bem o lugar. Ela trabalhou lá por sete meses como tradutora e “para ajudar os americanos a compreender a cultura groenlandesa”. “Foi um trabalho como qualquer outro”ela disse a Mundoespecificando “procurando outra coisa assim que Trump for eleito”. “Apoiarei sempre os direitos dos povos indígenas e o processo de descolonização da Gronelândia”acrescenta esta mulher esbelta de 37 anos com determinação, os olhos cobertos por grandes óculos redondos.

Esta dupla luta, já se dedica a isso no âmbito da associação Sila 360, financiada por fundos dinamarqueses, que cofundou em março de 2023 para ajudar mulheres groenlandesas privadas de filhos. Nesse ano, 460 crianças de origem Inuit, sobrerrepresentadas entre os menores colocados na Dinamarca, o poder tutelar, viviam em famílias de acolhimento ou em instituições. Ainda eram 412 em 2024, segundo estatísticas oficiais.

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