Quando entram no mercado de trabalho, os estrangeiros recebem significativamente menos do que os trabalhadores (da mesma idade e sexo) nascidos no país de acolhimento. Mas a sua situação melhora com o tempo, graças, em particular, à sua mobilidade para outras empresas. Esta é uma das lições de um estudo publicado na segunda-feira, 3 de novembro, pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Económico (OCDE). Este último conseguiu medir disparidades salariais mensais em cerca de quinze países, incluindo França, Alemanha, Dinamarca, Espanha e Estados Unidos. Para fazer isso, a organização investigou dados sobre mais de sete milhões de novos imigrantes empregados no início da década de 2000, fossem eles provenientes principalmente da América Latina, África, Ásia ou Europa.

Quando entram no mercado de trabalho, os estrangeiros recebem em média 34% menos salário do que os nativos da mesma idade e sexo. Esta diferença é de 28% em França, tal como na Dinamarca e em Portugal. Sobe para 45% na Itália. Um diferencial de rendimento que a OCDE tem tentado compreender e decompor.

Primeiro, os estrangeiros concentram-se em sectores que pagam menos, como os serviços (que incluem segurança ou limpeza), hotéis e restaurantes ou mesmo a agricultura. “E dentro desses setores estão em empresas menos produtivas, menores, que concentram mais estrangeiros e que pagam menos”explica a economista Ana Damas de Matos, uma das três autoras do estudo. Ela lembra que “muitos trabalhadores encontram emprego através de referências e das suas redes informais” e que, portanto, os estrangeiros tendem logicamente a trabalhar juntos, bem como em locais de trabalho “que não os discriminam na contratação”.

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À chegada, o sector do emprego e a empresa explicam dois terços da disparidade salarial entre nativos e estrangeiros. A desvantagem sofrida está também ligada ao facto de os estrangeiros trabalharem mais frequentemente a tempo parcial, situação que vivenciam frequentemente, especialmente em França, e de, dentro da mesma empresa, ocuparem empregos menos remunerados. Mas, mesmo com profissões iguais na mesma sociedade, continuam em desvantagem. “Permanece uma lacuna que não podemos explicar, mesmo que possamos levantar a hipótese de que está ligada a questões de antiguidade, experiência, proficiência linguística, nível de formação ou mesmo discriminação”continua Mmeu Matos Damasco.

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