Dar título a uma exposição não é fácil, quando esta reúne vários artistas – 27 neste caso – mortos e vivos, muito díspares. Este título deve ser marcante, fácil de lembrar e atraente – ou pelo menos não desanimador. É sem dúvida por isso que a nova exposição da Coleção Pinault se intitula “Clair-obscur”, uma noção pictórica antiga e conhecida. Mas não há menção a Caravaggio ou Rembrandt, e deveria ter sido chamado de “Arte e Morte” ou “A Arte do Desastre”.
Porque é disso que trata este conjunto de cerca de uma centena de obras, quase todas pertencentes à coleção. Só podemos apreciar que este assunto difícil seja tratado de forma tão ampla. É certamente relevante todos os dias, mas é ainda mais relevante nos tempos de destruição e ódio em que estamos presos. Ao remontar ao período entre guerras, a exposição recorda também a sua permanência histórica, o que só pode obscurecer ainda mais as reflexões que impõe.
Se o título puder ser enganoso, o caminho é autoexplicativo. A rotunda central da Bolsa de Comércio atrai desde a entrada, o olhar é confrontado com Camatáfilme de Pierre Huyghe exibido numa tela com as dimensões do lugar: monumental. Realizou-a no Deserto do Atacama, no Chile, onde Christian Boltanski criou a instalação em 2014 Animitas850 sinos ao vento como tantas almas perdidas, e onde a ditadura do general Pinochet colocou um campo de concentração para eliminar os seus adversários políticos: um lugar trágico.
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