O pavilhão francês promete ser este ano um conto filosófico e psicanalítico sob o signo da mitologia, do maravilhoso e da polissemia. “Comme Saturne”, título escolhido pelo fotógrafo e artista visual franco-marroquino Yto Barrada, refere-se a Saturno devorando um de seus filhos (1819-1823), uma das marcantes “pinturas negras” de Goya.
Neste episódio da Era dos Titãs, Saturno/Cronos, divindade ligada ao conceito de tempo, tenta frustrar o oráculo que lhe previa que seria destronado pelos próprios filhos, devorando seus seis filhos. Sua esposa consegue esconder dele seu filho mais novo, Júpiter/Zeus, substituindo-o por uma isca, enquanto ele será recolhido por uma ninfa com aparência de cabra, Amalteia, para alimentá-lo, antes de retornar para se vingar.
“Saturno é uma forma de ganhar altura para falar de coisas muito realistas, pessoais e difíceis. Saturno é obrigado a comer todos os seus filhos para não ser substituído, existe a ideia da passagem de gerações e do sacrifício”explica o artista, que tira do título da pintura o fio da devoração. “‘Divoré’ é uma palavra bonita que remete a Goya, e tive a ideia de trabalhar o devoré, uma técnica de acabamento têxtil aveludado: retiramos parte da fibra de um tecido misto, com um devoré, um ácido, para criar um padrão transparente. »
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