No final de uma maratona de sessões parlamentares, os deputados argentinos aprovaram, na quinta-feira, 9 de abril, a chamada lei dos “glaciares” (137 votos a favor, 111 contra, 3 abstenções), modificando assim um texto datado de 2010 que protegia os glaciares e as zonas periglaciares. O Senado já tinha dado luz verde, no dia 26 de fevereiro, a este projeto levado a cabo pelo executivo.
Objetivo declarado do texto: incentivar atividades produtivas em zonas glaciais e periglaciais, onde antes eram proibidas. Neste estado federal, caberá agora às províncias estabelecer critérios de preservação no contexto dos projectos de extracção mineira em particular. O texto contou com o apoio das províncias mineiras dos Andes, como Mendoza, San Juan, Catamarca e Salta, no noroeste do país.
“A partir de agora, o nosso país encontrará um verdadeiro federalismo ambiental e uma política inteligente e soberana para a exploração dos seus recursos”disse o presidente ultraliberal Javier Milei num comunicado de imprensa publicado após a votação. Após aprovação no Senado, o presidente eleito em 2023, que nega a responsabilidade humana pelas mudanças climáticas, garantiu que o novo texto “garantido[rait] o direito a um ambiente saudável sem renunciar ao uso racional dos recursos naturais” E “elimina[rait] as distorções ideológicas e os obstáculos artificiais que impediram o progresso”vangloriando-se de “regras claras”.
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