As medições de “poluentes eternos” da família PFAS pelo Estado confirmam os receios suscitados por um destes compostos químicos, o TFA, presente em quase todo o território francês na água, incluindo a água da torneira, temido pelas associações ambientalistas.

A Agência Nacional de Segurança Sanitária (ANSES) revelou na quarta-feira que o ácido trifluoroacético (fórmula química CF₃COOH) estava presente em 92% da água analisada.

Este número provém de amostras retiradas de 647 amostras de água bruta (riachos, lagoas, lagos, águas subterrâneas, poços, etc.) e 627 de água da torneira, em todo o país, na França continental e no exterior.

“Estávamos um pouco sozinhos, com os nossos modestos meios, ao denunciar este problema”, disse à AFP François Veillerette, porta-voz da associação de futuros Générations, que já tinha realizado medidas menores. “É claro que o alerta que emitimos foi justificado. Os números da ANSES são ainda piores que os nossos.”

O TFA é um composto que, segundo vários estudos, é prejudicial ao fígado e à fertilidade e coloca os fetos em risco de malformações.

Utilizado pelas indústrias farmacêuticas ou agroquímicas, é extremamente persistente no meio ambiente, móvel e capaz de contaminar amplamente toda a cadeia alimentar, sólidos e líquidos e organismos.

Por ser um “PFAS de cadeia curta”, ou seja, com poucos átomos de carbono, o que o torna uma molécula muito pequena, é extremamente difícil de extrair durante o tratamento da água e praticamente indestrutível.

Atualmente não existe obrigação de medir a sua concentração na água da torneira.

A ANSES procurou na água a presença de 35 PFAS diferentes. Os outros 34 são menos comuns, sendo o próximo mais comum o ácido perfluorohexano sulfônico (PFHxS), encontrado em 27% das amostras.

– “O problema é global” –

A concentração média de TFA é de 0,81 microgramas por litro de água e sobe para 20 microgramas em torno da fábrica de TFA da Solvay em Salindres (Gard). Isso produziu TFA por mais de 40 anos, até 2024.

A ANSES observa que a concentração mais elevada permanece três vezes inferior ao “valor indicativo de saúde” retido pelo Ministério da Saúde, na ausência da regulamentação em vigor, de 60 microgramas por litro de água.

Mas, nota o porta-voz da Générations Futures, “este valor indicativo é extremamente elevado, alinhado com a Alemanha, enquanto os Países Baixos, por exemplo, escolheram 2,2 microgramas”.

A União Europeia deve decidir em 2026 sobre limiares harmonizados.

O TFA vem de múltiplas fontes industriais, incluindo a decomposição atmosférica de gases fluorados usados ​​para refrigeração e liberações de fabricantes do herbicida flufenacet.

“Esta precipitação atmosférica terá impacto direto e rápido nas águas superficiais, sejam rios ou corpos de água, e levará, portanto, a uma presença generalizada” do TFA, explicou à imprensa Xavier Dauchy, químico do laboratório Anses em Nancy que produziu estes resultados.

“Pode haver emissões diretas de locais que sintetizam TFA. Pode haver emissões (…) de locais que utilizam TFA”, acrescentou.

De acordo com as Gerações Futuras, esta poluição só deverá piorar.

“As quantidades aumentarão, uma vez que as fontes deste PFAS, de longe as mais difundidas, permanecem as mesmas. Sobre os gases fluorados, não temos controlo: o problema é global. Sobre os pesticidas fluorados, a França deve agir no seu território. É isso que pedimos há anos”, explicou Veillerette à AFP.

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