Milhares de sul-africanos marcharam no sábado, 21 de março, em Joanesburgo, a pedido do ANC (o principal partido do país), “em defesa da soberania e das conquistas democráticas”segundo o slogan repetido em uma faixa à frente da procissão, após meses de pressão americana.
Além da queixa sul-africana de genocídio apresentada contra Israel pela sua guerra em Gaza perante a justiça internacional, a administração de Donald Trump também critica Pretória pelas suas políticas internas. Na mira do presidente republicano, uma alegada perseguição aos africâneres, a estes descendentes de colonos europeus, ou mesmo programas de discriminação positiva destinados a corrigir desigualdades herdadas da colonização e depois do apartheid.
“O princípio da soberania nacional está a ser desafiado por forças externas e internas”alerta para o apelo à manifestação lançado pelo ANC (Congresso Nacional Africano, em inglês African National Congress).
A organização deste evento surge após a convocação, no início de Março, do novo embaixador americano, Brent Bozell, apenas um mês após a sua chegada, para “observações pouco diplomáticas”. Numa das suas primeiras declarações públicas, declarou que não “nada para fazer” que os tribunais sul-africanos não consideram a canção polêmica e histórica da luta contra o apartheid, Mate o bôercomo discurso de ódio contra os africâneres.
O apelo à manifestação também denuncia “medidas económicas punitivas e interferência estrangeira direta na política interna” sem contudo mencionar Washington. Os Estados Unidos impuseram direitos aduaneiros de 30% sobre a maior parte das suas exportações – os mais elevados da África Subsariana – antes de o Supremo Tribunal Americano os reverter.
Contudo, a África do Sul é um dos 60 países sob investigação comercial num procedimento que visa justificar novos direitos aduaneiros.
A manifestação foi particularmente concorrida em Joanesburgo, neste feriado simbólico dedicado aos direitos humanos. Uma multidão vestida de verde e amarelo, as cores do ANC, inundou as largas avenidas que separam as torres do centro da capital económica do país. Outro desfile acontecerá ainda hoje na Cidade do Cabo.
O dia 21 de Março marca o aniversário do massacre de Sharpeville em 1960, quando pelo menos 69 manifestantes morreram sob as balas das forças de segurança do apartheid por exigirem o fim do passe que controlava o movimento dos negros.