Ex-Presidente da República Nicolas Sarkozy, no tribunal, em Paris, 16 de março de 2026.

A questão é objetivamente espinhosa. Poderá o Tribunal de Recurso de Paris julgar Nicolas Sarkozy por ter organizado, segundo o Ministério Público, um pacto de corrupção quando era Ministro do Interior, de 2005 a 2007, enquanto os ministros são julgados por um tribunal especial, nomeadamente o Tribunal de Justiça da República (CJR)? Pior. As recompensas do pacto teriam sido concedidas a Muammar Gaddafi enquanto Nicolas Sarkozy era Presidente da República e, portanto, cobertos pela imunidade presidencial.

Estes pontos já foram decididos durante a investigação do caso do alegado financiamento da campanha presidencial de 2007 por fundos líbios, e pelo acórdão do próprio tribunal, de 25 de setembro de 2025, que considerou que os crimes de que Nicolas Sarkozy é acusado são separáveis ​​da sua função. Mas o tribunal deve, hoje, pesar a sua decisão com um trabuco, especialmente porque quase não há precedentes, e uma censura do Tribunal de Cassação esvaziaria, sem dúvida, uma grande parte do caso.

Depois de sete horas e meia de leitura do relatório – um resumo, por assim dizer, do caso feito pelo presidente do tribunal – “Talvez eu tenha sido um pouco exaustivo”admitiu, de boa vontade, Olivier Géron, o tribunal analisou, terça-feira, 17 de março, “exceções de nulidade” tradicionalmente levantado pela defesa, na ausência de Claude Guéant, a perícia médica ordenada na véspera estabeleceu que ele não poderia comparecer ao julgamento.

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