“Mulheres num fundo azul”, de Chantal Thomas, Seuil, “Fiction et Cie”, 192 p., 19,50€, digital 14€.
O que faz alguém sair de um livro revigorado, revigorado, como depois de um mergulho refrescante em um dia de muito calor? Que palavras, que imagens, que ideias agiram secretamente no nosso corpo para que ele se sentisse pronto para enfrentar o mundo? Estas são as perguntas que nos fazemos ao fechar Mulheres em fundo azulde Chantal Thomas, que amplia e enriquece os retratos que escreveu a convite do “World of Books” no verão de 2024 – “verão de floração extraordinária de loendros”. Perguntamo-nos, sim, como a académica consegue dar tanta textura e vida aos seus textos, fazê-los ondular nas nossas cabeças, como grandes lençóis de seda oferecidos a todos os ventos.
Talvez isto se deva sobretudo à sua linguagem, móvel e rítmica (na frase, as vírgulas parecem tremer), que tem uma força poderosa. Com muita naturalidade, leva-nos a seguir as figuras femininas que Chantal Thomas escolheu para nos acompanhar pelas saturadas paisagens azuis da Riviera, onde todas, num determinado momento da sua existência, deixaram a sua mala. São seis dessas mulheres: a cantora Sophie Cruvelli, a viscondessa Vigier, a rainha Vitória, a cantora e pintora Marie Bashkirtseff, as escritoras Katherine Mansfield e Colette, além da mãe da autora, Jackie.
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