“Olá, meu nome é Quentin, sou de Montargis. » Esta frase cult do filme Cale-se ! (2003), de Francis Veber − longe de ser o seu melhor −, é a única menção que conhecemos de Montargis (Loiret) na cultura popular. Gérard Depardieu, que interpreta Quentin no filme, um homem simplório que exaspera com bondade e estupidez, repete isso continuamente em tom estúpido. Tivemos o cuidado de não mencionar isso durante nossas reportagens. Pelo contrário, foi Montargois, dotado de um grande sentimento de autodepreciação, quem nos lembrou disso. “Em Montargis há sempre alguma coisa a acontecer. Quando não é Quentin, são os “coletes amarelos” ou os motins de 2023. E quando nada acontece, há as inundações do Loing. É por isso que O mundo escolheu investigar aqui? »supôs um morador perplexo com nosso interesse por sua cidade.
Depois de um breve momento de incompreensão ligado às notícias recentes – a morte de Quentin Deranque, em Lyon, no dia 14 de fevereiro – quisemos tranquilizá-lo. A série de artigos que O mundo está prestes a publicar no Montargis (não pronuncie o “s”) não deve nada a Quentin de Cale-se ! nem às inundações do Loing. Seria mentira, por outro lado, dizer que os “coletes amarelos” e os motins de 2023 nada têm a ver com isso.
Recorde-se que várias centenas de “coletes amarelos” ocuparam a estratégica rotunda “amendoim” (devido à sua forma alongada) no sul da cidade em 2018-2019 e mesmo em 2020. No auge da mobilização, as casulas fluorescentes de Montargis – pelo menos algumas delas – bloquearam a percepção local. Isto levou a algumas condenações legais, nomeadamente do homem que se apresentou como porta-voz local e que é agora candidato a presidente da Câmara de Montargis sob o rótulo RN, Côme Dunis (mas voltaremos a isso num episódio futuro). A Covid-19 e a dura repressão policial às aglomerações parisienses puseram fim a este movimento que deixou muita amargura e engoliu esperanças.
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