Um espectro ronda a pré-campanha presidencial: a perspectiva de um confronto no segundo turno entre Jordan Bardella e Jean-Luc Mélenchon. A segunda vaga do painel eleitoral delineia o que podemos chamar de “fundo” desta eleição. Ela esclarece, em particular, a intensidade da procura de “radicalidade” e permite-nos distinguir quatro expressões de radicalidade.
A primeira radicalidade é ideológica. É o autoposicionamento dos franceses numa escala esquerda-direita que vai de zero a dez – zero significando “muito à esquerda” e dez “muito certo”. Se, por convenção, considerarmos que a radicalidade corresponde a todas as respostas “0” Ou “1” de um lado e “9” Ou “10” por outro lado, vemos que reúne, no total, 21,5% dos franceses – 6% na extrema esquerda, 15,5% na extrema direita. É, portanto, minoritário e assimétrico.
A segunda radicalidade é partidária. É a proximidade partidária, a resposta à questão de saber a que partido político os franceses sentem que pertencem. “mais próximo ou menos distante”. Podemos concentrar-nos no núcleo, ou seja, nos simpatizantes da França Insoumise (LFI) e do Rally Nacional (RN): correspondem respetivamente a 7,5% e 22,5% do painel. Podemos alargar a análise à nebulosa que gravita à distância destes dois grandes grupos políticos. Somando, à esquerda, os apoiantes da Lutte Ouvrière e do Novo Partido Anticapitalista e, à direita, os do Debout la France e do Reconquête!, temos uma esquerda radical que pesa 9% e uma direita radical 26,5%. O total sobe então para 35,5% e inclina-se significativamente ainda mais para a direita. É também muito menos minoritário: os apoiantes dos partidos radicais são quase tão numerosos como os dos chamados partidos. “do governo” (26% dos entrevistados franceses não se sentem próximos “sem partido”).
A terceira radicalidade é metodológica. É a recusa do compromisso como forma de governo; 45% dizem preferir um líder político que “permanece fiel aos seus princípios e não compromete” contra 55% um líder político “pronto para se comprometer com outros a fim de avançar pelo menos parte de suas ideias”. Neste caso, a interpretação destes 45% é mais complexa. Mas podemos considerar que, num país cuja cultura e instituições dificilmente conduzem ao compromisso e após dois anos de acção dificultada, não era certo que uma maioria continuasse a favorecer o compromisso.
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