
Milhares de médicos e cuidadores liberais tiveram que fazer consultas à moda antiga esta semana, com papel e lápis, depois de perderem o acesso ao seu software profissional durante alguns dias devido a um ataque cibernético, soubemos na sexta-feira de fontes confiáveis.
Segunda-feira à noite, a empresa Weda, que comercializa software utilizado por médicos e outros prestadores de cuidados, como parteiras, “decidiu suspender temporariamente o acesso à sua plataforma”, devido a uma “tentativa de intrusão”, informou a empresa num comunicado de imprensa divulgado na sexta-feira.
“O acesso parcial à plataforma foi restabelecido na sexta-feira, por volta das 9h30, permitindo encontrar funcionalidades essenciais num ambiente seguro e controlado”, acrescentou a empresa.
“Esta recuperação gradual visa permitir um reinício confiável e sustentável sem comprometer a segurança dos dados de saúde”, acrescentou.
Weda não especificou o número exato de cuidadores que tiveram seu acesso cortado esta semana, mas a empresa reivindicou 23.000 clientes até o final de 2024.
Numerosos meios de comunicação locais em toda a França relataram as dificuldades encontradas pelos clientes da Weda no cumprimento da sua missão.
“Para nós, perder o acesso ao nosso software profissional é um pouco como perder água e eletricidade e ter 15 pessoas para jantar à noite”, explicou à AFP o médico Philippe Mauboussin, clínico geral em Eure.
“Perdemos o acesso aos prontuários dos nossos pacientes, não temos mais acesso aos relatórios de consultas, receitas anteriores, resultados de exames…”
A Weda não indicou em seu comunicado à imprensa se quaisquer dados de pacientes ou cuidadores foram roubados pelos ciberataques.
A CNIL, a polícia de dados, e a Anssi, a agência francesa de cibersegurança, foram informadas e foi apresentada uma queixa, disse a editora.
Numa mensagem aos seus associados, o sindicato das parteiras ONSSF recomendou-lhes, em particular, que verificassem se “não utilizavam a mesma palavra-passe da Weda noutras contas profissionais”, tendo esta talvez sido comprometida.
A Weda, com sede em Montpellier, pertence ao grupo Vidal, editor do famoso dicionário de drogas com o mesmo nome.